Este é um blog de opinião. As postagens escritas ou selecionadas refletem exclusivamente a minha opinião, não sofrendo influência ou pressão de pessoas ou empresas onde trabalho ou venha a trabalhar.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

MARCAS DA MEMÓRIA

Esse é o texto que deveria escrever daqui a uns quarenta anos.

Quando os cabelos estivessem poucos e brancos e eu tivesse mais lembranças que sonhos. Quando eu já estivesse repetindo as histórias, quando já tivesse me tornado o homem mais forte, o maior craque, o mais valente, o mais honesto e o mais mentiroso também.
Dizem que com a idade, a força dos velhos passa para a garganta, não sei se é verdade, nem pretendo iniciar um debate com meus amigos da melhor idade.

Talvez daqui a quarenta anos eu tenha ainda alguma força, (principalmente na garganta), mas desconfio que minha grande força mesmo, será sustentada pela minha memória, desde que não me peçam para lembrar números, nomes, datas, aniversários... Coisas assim, eu já tenho esquecido, principalmente aniversários. Que memória seria esta, que não poderia lembrar nomes, datas, números?

Peçam-me para lembrar dos sons, das cores, dos cheiros e dos sabores das coisas, das embalagens e dos produtos da minha infância.

O som de um tambor de couro de boi enfeitado com bandeirolas, tocado na cadência certa no desfile de Sete de Setembro.

Os cheiros do querosene queimando numa lamparina, de uma conserva BORDOM, CORONADO ou ANGLO, de café torrando num caco de lata de querosene com pá de madeira, cheiro de vela...

As cores dos papéis de embrulho com os quais encapávamos nossos cadernos e livros.

Perguntem pela embalagem da sandália havaiana, que era uma sacolinha; Da bolacha e do macarrão PAPAGUARA, com um índio fantasiado com seu belo cocar.

Queiram saber da emoção de calçar um KICHUTE ou um CONGA pela primeira vez. Do cuidado que se tinha com o Kichute para não gastar as travas e os bidongos no cimento das calçadas.

Marcas que desapareceram e outras que venceram o tempo e embora tenham sofrido mudanças, ainda estão por aí. Dentre tantas, recordo principalmente pela utilidade:

Da lata de aveia QUAKER, com aquela figura de chapéu e cabelos brancos, que não conseguíamos definir o sexo, mas que parecia muito com a Tia Saruê;

Lâminas de barbear eram da GILLETE e da WILKHINSON;

A latinha de FERMENTO ROYAL;

As latas de LEITE MOÇA, CAMPO VERDE, MOCOCA e NINHO;

As latas de ÓLEO SACI, SALUTAR e SOYA (qual era mesmo o nome daquela que era meio quadrada e que fazíamos um violão?);

Pasta de dente era KOLYNOS (sei até hoje onde era produzida: Rodovia Raposo Tavares, Km-14, São Paulo);

Meu pai carregava cartuchos com CHUMBO PERDIZ e ESPOLETA TUPã;

Minha mãe lavava roupas com SABAO MINERVA, ZEBU e PAVAO e um cacete para afrouxar o sujo. Depois, a roupa ficava no quarador;

Como nunca faltava menino novo lá em casa, também não poderia deixar de ter um perfume de ALFAZEMA, com aquela moça (não seria a Noviça Rebelde?) carregando um tabuleiro de flores num belo campo, florido...;

Perfume era conhecido como extrato e o mais famoso entre os pobres era o AVANÇO.

Os tecidos eram TERGAL, BRIM, TERBRIM, ESTOPA, VOLTA-AO-MUNDO, CHITA, CHITAO, LINHO e MURIM.

Fósforo era FIAT LUX, OLHO, PINHEIRO e ARGOS, (do palito chato), que os mais pobres cuidadosamente partiam ao meio dobrando o número de palitos para 80.

Pela cozinha, tinha sempre um papeiro, uma chaleira e um coador de café, e uma lamparina (que é parente da poronga);

Nos novenários as marcas estavam por toda a parte: Refrigerante BARÉ, cigarros ARIZONA, CONTINENTAL, REMO, CARLTON, MINISTER, PLAZA e HOLLYWOOD

Goma de mascar era CHICLETS ou PING-PONG.

Fortificante era e é BIOTÔNICO FONTOURA misturado com ÓLEO DE FÍGADO DE BACALHAU.

Linha de costura era ZEBRA, que roubávamos para soltar papagaios. Máquina de costura era ELGIN, SINGER ou VIGORELI.

Eletrola era ROUXINOL, rádio era ELETRONIC ou SEMP. Pilhas para fazê-los tocarem se comprava pilhas RAYOVAC e GATO.

Os barcos eram tocados a motores CLINTON, BRIGS STRATION, (burro-preto), MONTGOMERY, TIETÊ e YANMAR.

Espingarda era MARCA POMBO, BOITO, QUEBRA-JOELHO e BELGA.

E crediário era nas CASAS PERNAMBUCANAS.

Queiram saber essas coisas, questionem uma memória feita a partir das marcas dos produtos, emoções, de cores, de sentimentos.
Emoções de uma época ainda recente, mas que é impossível mensurar a importância no futuro.

Só para avivar a memória...

5 comentários:

adonilde disse...

meu amigo franciney. essa foi boa sou da mesma idade e nao lembrava desses detalhes. valeu, muito boa

Jorge luiz disse...

Essa foi pra matar, quase morro de rir lembrando, Faltou o Oleo Salada e o Ki- suco
aushaushasuahsush
muito boa...
umas das melhores postagens

Ainoa disse...

Olá. Estamos esquecendo de muitas outras marcas. Que legal relembrar os velhos tempos! Umas imagens me trouxeram saudades, outras um poco de tristeza pela pobreza que vivíamos e nao digo só pela minha família, digo por uma época difícil... Com essas publicidades você fez recordar tantas e tantas coisas...dos vizinhos mais dóceis e unidos, de gente com sentimento e poucos luxos(mesmo porque nao se ganhava tanto) Olha, a Conga(modelo modificado)vendeu em Sao Paulo até os anos 80 eu me lembro porque minha avó tinha uma rsrsrsrs. O tenis kichute também foi usado pelas meninas para ir a escola e eu tinha um, e foi a maior emoçao quando minha mae me comprou. Nao podemos esquecer da Tubaina kuakuakua. Sempre que vou para a cidadezinha do interior onde mora minha mae eu peço pra ela comprar pra mim. Outra também esquecidinha é caixa de fósforo com rótulo amarelo - da marca Guarany. O cigarro Kent (de cor verde) que fumava meu tio. O sabao em pó português que era amarelo e vendia a granel.O extrato de tomate Elefante e o seu concorrente o Etti. Vamos ver quem vai lembrando mais coisas...Antonio Franciney, obrigada por estes momentos. Um beijo pra você diretamente da España - Albacete

Anônimo disse...

Que saudade desses tempos, pena que não voltam.Apesar do pouco dinheiro as fam´lias e os vizinhoseram mais unidos. Tenho 27 anos e me lembro de todas essas marcas... e meu primeiro emprego, dos 15 aos 18 foi na fábrica de fósforos das marcas Argos e Guarany, e enquanto trabalhava me lembrava de como essas marcas fizeram parte da minha infância.
Foi muito bom relembrar esse tempo, em especial o óleo de Fígado de Bacalhau(até hoje me lembrava daquele homem com o peixe nas costas), ao Biotônico, e ao concorrente Sadol.
Se tiver mais recordações, por favor poste aí pra gente matar a saudade!

Um beijo direto de Portugal... Porto

Mozart Gomes disse...

Long time a go....