Este é um blog de opinião. As postagens escritas ou selecionadas refletem exclusivamente a minha opinião, não sofrendo influência ou pressão de pessoas ou empresas onde trabalho ou venha a trabalhar.

sábado, 29 de dezembro de 2012

"Alma Santa" do Barro Alto

Quem poderá dizer que a fé humana é ilusão apenas?Sobre a minha fé eu até arrisco alguns palpites, mas sobre a fé dos outros...

Pois dentro do Rio Grajaú em Porto Walter está a prova de que qualquer preconceito sobre o tema será arriscado.

Afirmo baseado no fenômeno denominado “Alma Santa do Barro Alto”. E, pesar de não ter me debruçado sobre o tema com a seriedade que ele merece, de tanto ouvir depoimentos de pessoas mais antigas concluo que, aqui pela nossa região, as almas santas são mais comuns do que se imagina. 

Se em quase todos os cemitérios existem uma, em quase todos os rios e igarapés amazônicos também, mas nenhuma "alma santa" desperta tanto interesse e mistério quanto a do Barro Alto no Rio Grajaú no município de Porto Walter.

Apesar de bastante comentada no Alto Juruá, e até conhecida em outras partes do Brasil conforme me informaram (na comunidade Esperança a poucos quilômetros abaixo do local), já visitaram o local pessoas de várias partes do Brasil, um deles teria inclusive chegado de helicóptero. Alguns políticos de sucesso por aqui costumam pagar promessas por suas vitórias por lá. Apesar desse sucesso de crença e visitação, o Barro Alto ainda não foi catalogado como um lugar de romaria (pelo menos não encontrei). Nem a imprensa cruzeirense conhece o Barro Alto.   

Em abril de 2010 fui convidado por uma equipe de TV para na condição de historiador (talvez a única vantagens de ter escolhido História) ajudar na produção de uma reportagem sobre a religiosidade na região. E como eu estivesse também produzindo para o meu livro aceitei o trabalho. Fomos ao Barro Alto no Rio Grajaú visitar a sepultura da "alma santa do Barro Alto".

Desde muito era meu desejo estar no local e escrever algo a respeito daquele fenômeno de fé.

Chegar ali durante a cheia do rio é mais fácil, mesmo assim ainda é um grande feito e só um prático experiente sabe desvendar os meandros do Rio Grajaú, pois as águas do Rio Juruá o represam muitas voltas acima da foz e se por um lado facilita pela velocidade, por outro dificulta pela falta de um canal. Represado, o Grajaú praticamente para de correr e engana os navegantes menos atentos.

Mas desde quando a sepultura alguém (de quem nada ou quase nada se sabe a respeito) cavada num barranco dentro do Rio Grajaú teria alcançado o status de "alma santa"? Perguntei a um dos moradores mais idosos da Comunidade Esperança (a poucos quilômetros do local) e a resposta foi: Vixe, faz mais de cem anos...!

Mas o Grajaú não me parece ter mudado muito, e poderia assegurar que algumas daquelas árvores de suas margens são as mesmas de muitos séculos atrás e que algumas até presenciaram o sinistro.

Queria ouvir a opinião dos moradores próximos, ouvir pelo menos três pessoas de diferentes opiniões para contrapor as várias versões a respeito da origem da “alma santa”.  No Grajaú, as versões são convergentes: 

Numa época que foge à memória e a comprovações de veracidade, dois seringueiros desciam o Grajaú durante uma grande enchente quando foram atacados por índios tendo um deles sido atingido gravemente por flechada. Agonizando, pede ao companheiro que caso não sobreviva o sepulte em local seco. A viagem termina então, no único ponto seco do rio naquele momento - o Barro Alto.

A outra, bem parecida, difere apenas quanto à natureza do ataque mortal, aqui atribuído a picada de cobra. Nas duas, um companheiro penitente que o sepulta no único ponto do rio onde as águas não tinham chegado e desde então, também não chegariam mais.

E encontrei quem me dissesse que aquele lugar (Barro Alto) não é o lugar do sepultamento de um seringueiro, mas de vários outros, simplesmente  por ser um dos lugares mais altos dentro do rio Grajaú e onde "dificilmente" o rio chega, mas já chegou.

Certamente a morte de um seringueiro e seu sepultamento na margem do rio causa grande comoção entre os moradores e viajantes, e é bem provável que a crença na “alma santa” tenha surgido em data bem posterior a fatalidade, talvez fruto de algum sonho onde uma "mensagem recebida" alimentou a crença no poder milagroso daquela alma sepulta no “Barro Alto”.

E o primeiro "milagre" ocorreu, e a primeira promessa foi paga, e a partir daí, muitas outras se sucederam.

Desde então os pedidos feitos à "alma santa", e atendidos, se converteram em milagres que devem ser pagos com uma visita ao local e uma forma de marcar o milagre é depositando no local algo que evoque a graça recebida (cabelos, roupas, sapatos e uma curiosa estatuária representada por bustos, seios, cabeças, pernas, pés, mãos, braços e outras peças). Há também muito lixo causado por caixas de velas e fogos (rojões).

A calcular pela quantidade de milagres e pessoas que visitam o local, ali é um local misterioso (o silêncio do rio e uma galega ‘juriti fogo-apagou’ cantando próximo contribui para isso).

Os vários relatos que ouvi mantém uma relação de coincidências, uma coerência quanto ao sepultamento ali no meio do nada, na margem direita do rio Grajaú.

Foi uma aventura e tanto, única e valiosa. Parar no porto, subir o barranco (que pela enchente era menos que um metro de altura) e ouvir as pessoas, suas crenças, suas ilusões.

Como quem visita um sítio arqueológico, não trouxemos uma única pedra, apenas fotos e memórias. 
Na ocasião lembro que por não ter muito o que negociar (pedir a graça para paga-la depois com uma visita depositando ali uma lembrança) em tom de brincadeira pedi que o Flamengo ganhasse outra vez algum título de valor (um Campeonato Brasileiro, uma Copa do Brasil, uma Libertadores...) e na visita, a camisa do autor do gol do título ficaria dependurada por ali. Tomara que não demore muito...   

Algumas imagens: 
  Observe o detalhe do pé entalhado em madeira (no alto a direita) com uma sacola de roupa.
 O túmulo da "alma santa" a partir do rio Grajaú
Dependendo da graça alcançada o pagamento pode ser a construção de uma nova "casa dos milagres". 
Exemplo da estatuária presente no Barro Alto
  Roupas, estátuas e lixo... 
Não parece o braço de um manequim?
 ...e até um aluno da Escola Dom Henrique Ruth (será que agradecendo o milagre de ter sido aprovado?)

 As duas imagens acima são do mesmo local no verão (em data anterior a 2010) 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Até tu, Alvaro?


Empresário do 'mensalão' nos Correios e no caso Valec aparece nos R$ 16 milhões do Alvaro Dias
  
Agora a casa do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) caiu, e com um empurrãozinho da própria revista Veja (sem querer).

O senador é réu em um processo judicial de disputa patrimonial, movido por uma filha, reconhecida através de exames de DNA. O processo poderia ser apenas mais um entre tantos, sem maior interesse público, não fosse o valor de R$ 16 milhões em causa, pois o senador tucano declarou à Justiça Eleitoral (e ao eleitor) ter um patrimônio de R$ 1,9 milhão, na última eleição que disputou. O aparecimento desta súbita fortuna causou perplexidade à nação brasileira, que pergunta: como o senador, da noite para o dia, aparece como um dos parlamentares mais ricos do Brasil?

Detalhe: o processo não está em segredo de justiça, ao contrário do que disse o senador em seu twitter, e não é uma mera disputa familiar. É uma disputa patrimonial graúda envolvendo mais 10 réus ao lado de Alvaro Dias, e quatro deles são pessoas jurídicas.

Uma das empresas ré na causa é a "AGP Administração, Participação e Investimentos Ltda.", de Alexandre George Pantazis, indicando que Alvaro Dias teve algum tipo de negócio com esta empresa envolvendo os R$ 16 milhões em questão.

Alexandre Pantazis é dono da empresa Dismaf - Distribuidora de Manufaturados Ltda. junto com seu irmão Basile, que era tesoureiro do PTB-DF.

A Dismaf foi objeto de uma reportagem da revista Veja (pág. 64, edição 2212 de 13/04/2011), acusando  a empresa de pagar propinas ao PTB sobre contratos nos Correios, no caso que deu origem ao "mensalão" a partir da gravação feita por um araponga de Carlinhos Cachoeira, que levou Roberto Jefferson a dar a entrevista em 2005. A reportagem foi baseado na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal. Declarada inidônea pelos Correios, a empresa não podia participar de licitações, mas ganhou uma na Valec (que constrói a ferrovia norte-sul) para fornecer trilhos. O fato foi alvo de auditoria na CGU e foi um dos motivos para demissão do ex-presidente da Valec, o Juquinha.

Só uma investigação sobre os contratos e quebra de sigilo bancário poderá esclarecer o real envolvimento do senador tucano com o dono da Dismaf, .

Agora o que vai acontecer? O Alvaro Dias e seus negócios com um dono da Dismaf será capa da próxima revista Veja?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Acreano ou Acriano


ACREANO OU ACRIANO
O governo federal vai adiar para 2016 a obrigatoriedade do uso do novo acordo ortográfico. As novas regras, adotadas pelos setores público e privado desde 2008, deveriam ser implementadas de forma integral a partir de 1º de janeiro de 2013. As informações são da Folha de S. Paulo.

A reforma ortográfica altera a grafia de cerca de 0,5% das palavras em português. Com o adiamento, continuará sendo opcional usar, por exemplo, o trema e acentos agudos em ditongos abertos como os das palavras "ideia" e "assembleia".

Além disso, o adiamento de três anos abre brechas para que novas mudanças sejam propostas. Isso significa que, embora jornais, livros didáticos e documentos oficiais já tenham adotado o novo acordo, novas alterações podem ser implementadas ou até mesmo suspensas.

Independente disso, este blog e eu seguiremos sendo acreanos, conforme defende manifesto da Academia Acreana de Letras, assinado pelo poeta e escritor Clodomir Monteiro.

Leia trechos:

"O habitante natural do Acre tem como gentílico, desde 1878-1880, acreano[8]. Aqui, nesta parte do país, como em outras, há traços regionais fortes. E uma língua é assim: uma riqueza na pluralidade de normas: culta, familiar, literária, popular, técnica etc. A Língua Portuguesa seria muito pobre se apresentasse apenas uma forma para seu léxico, para sua sintaxe."

 "Até mesmo os dicionários respeitáveis do idioma pátrio, como Nascentes, Aulete, Aurélio e Houaiss, trazem as duas formas, ou seja, duas variações: acreano e acriano. Mesmo assim, a população sempre elegeu acreano como a forma de denominar aquela pessoa nascida no Acre. E agora, vem o Acordo Ortográfico retirar o uso consagrado pela cultura do lugar, justificando tratar-se de vogal átona que recebe a formação –iano. Assim, trata da formação dos adjetivos derivados dos Antropônimos (Camilo, camiliano; Camões, camoniano etc) da mesma forma que trata os gentílicos derivados do topônimo como Acre (acriano), um equívoco cultural."

"Por tudo isso, as Ciências Humanas, por mais magníficos e atraentes que sejam seus argumentos lógicos e dialéticos, não propiciam arcabouço seguro para tirar dessa terra acreana o seu gentílico consagrado: acreano. Assim sendo, é imperioso preservar as duas formas, a histórica e a lingüística, pois ambas são vertentes do conhecimento humano. A primeira tem maior possibilidade de retratar o Acre e sua gente, da forma mais completa possível, porque está plena, recheada da identidade regional."

Eis uma boa causa para a bancada do Acre no Congresso, que não demonstra gostar de boas causas.

Clique aqui e leia o manifesto da Academia Acreana de Letras, para quem o gentílico "acreano" é consagrado pela história.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Por fora bela viola, por dentro pão bolorento...

Ontem recebi uma ligação da Professora Alexandrina Félix. Alexandrina é professora universitária e cruzeirense como a maioria dos poucos leitores deste blog. Socializava uma preocupação - a podridão do esgoto da cidade a quem chamamos de Boulevard. 

E citou uma frase de "A Escrava Isaura" de Bernardo Guimarães. "...por fora bela viola, por dentro pão bolorento".

Assim é Cruzeiro do Sul, uma sepultura caiada, uma cidade que no discurso do prefeito "está pronta para o futuro" e "sem desafios para o novo mandato". 

Em reportagem à TV Juruá o repórter Erisnei Mesquita denunciou que ESGOTO NO CENTRO AFETA COMÉRCIO E RESIDÊNCIAS

Estamos a uma semana do Natal e como sempre "há quatro anos na história desse 'meu' município" foi armada diante da catedral uma enorme árvore de natal formada por "UM MILHÃO DE LÂMPADAS" (foi o que falaram na inauguração. Superfaturamento de pisca-piscas, será?).

O Natal organizado na Praça do Gamelão é uma bela viola, símbolo da hipocrisia e da idiotice tropical. Papai Noel é invenção do capitalismo, última tentativa no ano dos ladrões roubarem o nosso 13º salário (em 2012 eles vão se lascar... pois o 13º se vier é lá pra depois). 
Papai Noel é um duende barbudo que com sua indumentária ridícula no calor  dos trópicos não passa de uma trapaça, um engodo. 

Uma bela viola... mas a 250 metros dali o Igarapé Boulevard, o esgoto da cidade rola por alguns degraus e escorre para o Juruá. 

O Boulevard é o sistema de esgotamento sanitário mais eficiente em Cruzeiro do Sul, uma obra que os prefeitos se orgulham de ter recebido da geografia. 

Se na Antiguidade todos os caminhos conduziam a Roma, em Cruzeiro do Sul, toda a bosta é conduzida ao Boulevard. Só que a bosta fede e diluída incomoda os comerciantes, mas infelizmente não chega ao Gamelão.

Ali, no Gamelão, os pais podem posar com o Papai Noel, fotografar uma árvore de natal de "UM MILHÃO DE LÂMPADAS" e 18 metros de altura.

O cinismo e a hipocrisia são tamanhos que a palavra francesa "boulevard" que alude a "um tipo de via de trânsito, geralmente larga, com muitas pistas e dividido nos dois sentidos, geralmente projetado com alguma preocupação paisagística. (ver wikipédia), aqui é um esgoto e uma redundância de lascar: Avenida (boulevard) Boulevard (avenida) Thaumaturgo...


Assim é Cruzeiro do Sul, "pronta para o futuro" e "sem desafios" Por fora, bela viola, por dentro pão bolorento.

domingo, 16 de dezembro de 2012

No Japão funciona, já no Brasil...

A vitória do Corinthians diante do Chelsea colocou finalmente o clube entre os campeões do mundo, mas algo esteve diferente nas comemorações do título. Os corintianos estavam lá, mas o comportamento foi diferente.

Surpreendentemente não houve invasão de campo como o mundo temia. Na última quarta-feira vimos cenas lamentáveis de violência e invasão de campo por parte de marginais no Morumbi durante a comemoração do título da segunda divisão da libertadores.

No Japão a coisa foi diferente. Não houve gandula escondendo bola, segurança armado ameaçando os adversários no vestiário, ninguém que não fazia parte do jogo dentro de campo, nada que pudesse envergonhar o vencedor do jogo.

A diferença não está no torcedor (afinal as torcidas de São Paulo e Corinthians se equivalem em quase tudo), mas na organização do evento.

Uma torcida que se autodenomina "bando"já provou do que é capaz em matéria de irracionalidade e irresponsabilidade (aliás aqui vão alguns sinônimos para bando: quadrilha, corja, gangue, caterva, cáfila, facção, horda, hoste, magote, malta, súcia e outros).

Temos muito o que melhorar até a copa do mundo.

Não boto muita fé, mas ainda temos um ano e meio (meu Deus!). 

Para não arriscar passarmos um vexame pela falta de organização sugiro que façamos a copa do mundo do Brasil no Japão ou na África. 
Só para garantir...   

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A oposição brasileira...

"A oposição brasileira é a única no mundo que tenta derrubar um ex-presidente"
 
Lula discursando ao se despedir da presidência. Imagem: globo.com

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

PSDB - o partido que impediu uma maior redução na conta de luz.

A ideia era ótima, reduzir em até 20% a conta de energia no país, mas caso tivesse sucesso o PT ganharia ainda mais a simpatia da população mais pobre. 

Esbarrou na inveja e na política mesquinha dos governadores do PSDB que comandam três das maiores empresas de energia no Brasil. Minas Gerais, São Paulo e Paraná não apoiaram a iniciativa da presidente Dilma e a redução quando vier será menor. 

O PSDB é contra qualquer redução da conta de energia. É fácil imaginar por que. Votos, dificuldades na administração da presidente, dificuldades na campanha deles em 2014, inveja.

Quem ganha e quem perde? A população perde e o PSDB também.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Sobre a foto de Dilma e Joaquim Barbosa no velório de Niemeyer


Uma coisa é certa: a foto não vai para o álbum de nenhum dos dois
 Sorriso unilateral

De uma coisa não se pode acusar Dilma: de hipocrisia. É flagrante, é torrencial, é irreprimível o mal estar que a figura de Joaquim Barbosa provoca nela, como mostra a foto que o fotógrafo Gustavo Miranda, da Agência Globo, captou no velório de Oscar Niemeyer.

É o olhar de alguém que está oscilando entre o desprezo e o ódio, e que provavelmente se tenha visto na contingência de calar o que sente.

Que detalhes conhecerá Dilma das andanças de Barbosa por apoio político para ser nomeado para o STF?  Ou será que ela não perdoa o que julga ser deslealdade e ingratidão de JB perante o homem a quem ambos devem o cargo, Lula?

Interessante examinar o rosto de JB no encontro. Ali está um sorriso de quem espera aprovação, compreensão, atenção – ou pelo menos um sorriso de volta, ainda que protocolar e falso.

Mas não.

O que ele recebe de volta é um olhar glacial, uma mensagem clara da baixa opinião de Dilma sobre ele. Parece estar acima das forças de Dilma fingir que não sente o que sente, ainda que por frações de segundo. A fotografia não vai para o álbum de lembranças de nenhum dos dois.

A franqueza por vezes desconcertante é uma característica de quem, como ela, não fez carreira na política. Fosse uma política, esta foto não existiria, não pelo menos deste jeito singular,  e seria uma pena porque esta é uma das imagens que decerto marcarão a República sob Dilma, de um lado, e Barbosa, de outro.

sábado, 8 de dezembro de 2012

STAR - material de construção. Cuidado, eles cobram taxa extra pelo uso do cartão!!!

Há alguns anos um cidadão cruzeirense (acadêmico de jornalismo residindo em Rio Branco, acho) escreveu uma carta em que falava certas verdades que muitos tinham vontade de falar mas não tinham coragem.

Não deu outra. Rapidamente uma turminha de endinheirados se organizou e publicaram uma nota de desagravo contra as "ofensas" que o cidadão tinha falado. Acredito que se pudessem tinham matado o rapaz.

No dizer desses "donos da cidade" o desvairado tinha atacado a honra das famílias cruzeirenses.

Cheguei a ler a carta (que se não me engano foi espalhada ali pela praça de táxi, por que será...) e não vi nela nada que pudesse atacar as famílias cruzeirenses. Não me senti atacado na minha honra pois não fui atacado de ser traficante, não ladrão, mercenário...

Nunca vi tanta verdade em tão poucas linhas. Aquilo não era apenas uma carta era um tratado sobre a história social e econômica de Cruzeiro do Sul. É lógico que o panfleto (que era inclusive assinado) carecia de provas, não citava nomes mas nem precisava. Aquele parágrafo era para "o", aquele era para "o outro", e aquele outro ali era para os empresários.
Ah, cabra arrochado! Por onde andará aquele sujeito que com um simples texto abalou a Associação Comercial, a maçonaria, a Igreja, os políticos de Cruzeiro do Sul? Pelo ódio que causou acredito que deva ter sido eliminado. Sera?...
Hoje me lembrei daquele documento.
Lembrei pelo seguinte: Fui comprar uma saca de cimento e me surpreendi com o preço. Tinha baixado de 42,00 para R$36,00.
- Sério? Bom, assim eu vou levar duas.
Me dirigi ao caixa e ao sacar o cartão Visa para efetuar o pagamento a moça me informou que por ser no cartão teria um acréscimo de R$2,00.
- Como é que é? Mas eu vou pagar no "Débito à vista", vou transferir da minha conta para a da sua loja.
- Senhor, no cartão a gente paga uma taxa...
Ainda bem que criaram o estatuto do desarmamento porque numa hora dessas você fica possesso.
Como a necessidade faz o ladrão aceitei ser roubado e paguei a extorsão.

O nome da loja é STAR MATERIAL DE CONSTRUÇÃO (caso você queira boicotar), mas cobrar taxa extra por uso do cartão é uma prática comum em Cruzeiro do Sul. Com dinheiro na mão você paga um valor, com cartão, mesmo no débito, a conta é maior.

Isso é legal?

A Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) alerta para que empresários e consumidores devem ficar atentos para que, no caso de pagamentos realizados com cartão de crédito e débito, não sejam cobradas taxas de administração.
Segundo afirma a entidade, os encargos das transações são cobrados pelas administradoras dos cartões aos estabelecimentos. Por cada transação é repassado, em média, 5% em cima do valor da compra para as administradoras. No entanto, os clientes não podem pagar por esses encargos, alerta a Abecs.
Outro ponto que merece atenção das partes no caso de pagamentos com cartão é a cobrança diferenciada de acordo com a forma de pagamento. Isso porque, do ponto de vista legal, a venda a crédito ou a débito não deve ter diferenciação. O fornecedor não é obrigado a aceitar cheque ou cartão, desde que ele comunique ao cliente antes de ele se dirigir ao caixa para fazer o pagamento.

Temos por aqui uma burguesia voraz, alguns, desdentados e analfabetos conseguiriam surpreender Bill Gates em como se tornar multimilionários em menos de uma década. Os cursos de economia deveriam convidar alguns desses elementos para dar palestra aos seus alunos.

Lamentavelmente, Cruzeiro do Sul hoje se encontra (como era no passado) nas mãos destes miseráveis que fizeram fortuna nos seringais explorando seringueiros e hoje dominam a cidade econômica e politicamente.

Para quem olha Cruzeiro do Sul de fora, que não vive aqui é muito fácil falar que as nossas fortunas foram movidas à droga, mas quem frequenta o comércio local, rapidamente compreende a natureza da multiplicação dos milhões. O milagre é exploração cruel mesmo, droga é risco, comércio onde existe isenção de impostos e a população não sabe, onde se manipula tudo, é segurança e acredito até que deve ser mais lucrativo.

E assim caminha a sociedade cruzeirense...

Recentemente os empresários ameaçaram fechar a BR-364 caso o governador não revogasse um decreto em que reduzia o peso dos caminhões de abastecimento de produtos. Dizia o presidente da Associação Comercial que caso o governador não liberasse os bitrens e as gaiolas a mercadoria poderia aumentar em até 15%. O governo cedeu, mas os preços não caíram. Hoje eles estão trazendo a carga que queriam economizando no frete e ficando com o lucro.

Isso é chantagem, é imoral.

Onde está a obra social? Onde está o lado humano desses nossos irmãos comerciantes? Mas eles ajudam a Apadeq... é pouco, deveriam trabalhar na prevenção.

Já sei, comerciante não tem coração.

Doravante será assim, percebi a malícia, vou jogar na rede. Não tenho estômago para aceitar patifaria.  

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Valeu, camarada Oscar!!!


"A gente vem, conta uma história e vai embora..."

"A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem"

Foto: Wordpress.com

"Meu trabalho não tem importância, nem a arquitetura tem importância pra mim. Para mim o importante é a vida, a gente se abraçar, conhecer as pessoas, haver solidariedade, pensar num mundo melhor, o resto é conversa fiada"

"Meu avô, que foi ministro do Supremo Tribunal, morreu sem um tostão. Inclusive a casa em que a gente morava estava hipotecada. Sempre tive a idéia de que o dinheiro não vale nada. Achei bonito ele morrer assim. Já disse que teria vergonha de ser um homem rico. Considero o dinheiro uma coisa sórdida."

"Vejo os homens como uma casa, em que você pode consertar as janelas, acertar o aprumo das paredes, pintar. Mas, se o projeto inicial foi ruim, fica prejudicado"
Deixo de lado o sonho que sonhava.

“A miséria do mundo me revolta.
Quero pouco, muito pouco, quase nada.
A arquitetura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,
a vida mais feliz, a pátria mais amada”.

(Oscar Niemeyer, 1907-2012)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Em Cruzeiro do Sul a falta de espaços para a prática de esportes é caso de polícia

Deve ter sido assim: Um deputado destinou uma emenda para a construção de um ginásio de esportes e a prefeitura executou a obra.

Estando o ginásio quase pronto apareceu um puxa-saco e soprou no ouvido do prefeito (que se chamava Aluízio Bezerra) o nome mais horroroso que já vi para um ginásio de esportes - BEZERRÃO. 

Ele gostou da sugestão e descaradamente eternizou na parede uma lembrança negra na história das administrações desastrosas em Cruzeiro do Sul. 

Construído no Bairro do Alumínio é hoje administrado pelo presidente do bairro (conforme pude entender pela reportagem da TV Juruá). 

Cercado de "boas intenções" o presidente tenta impedir que a garotada passe o dia inteiro dentro do ginásio jogando bola fora dos horários que ele determinou para a comunidade. 
Põe cadeado, vigia, conserta o portão, e nada! A garotada, ávida por um espaço para praticar esportes arromba quantos portões forem necessários e o caso vai parar na delegacia. 
Ainda bem que na delegacia o caso se endireita, ainda bem que o delegado pensa diferente de presidentes de bairros e de secretários de esportes e lazer. 
Mas os "arrombadores", motivados pela necessidade de ocupar o tempo ocioso com algo menos perigoso que álcool e drogas devem ter a consciência de que o famigerado BEZERRÃO é público e eles tem direito de ocupá-lo. Alguém duvida que eles voltarão?

Digo assim meio irônico, mas pensando bem, se a garotada fosse parar na Penitenciária pelo menos teria um  lugar para jogar bola. 

Ê, Cruzeiro do Sul, sem desafios para administrar e "pronta para o futuro"... Que futuro, meu?

Veja o vídeo da prisão dos "arrombadores do patrimônio publico". Observe que com 0:20 a repórter diz: "Diferente de outros tipos de apreensões em que se vê armas drogas e dinheiro, por exemplo, o que se via era apenas chuteiras e bolas".
      

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Melancia tem safra recorde em Cruzeiro do Sul, mas 35 mil toneladas...

A safra de melancia no Brasil em 2012, segundo dados do Globo Rural é de dois milhões de toneladas. São Paulo responde por 10% dessa produção o que dá 200 mil toneladas. 

E Cruzeiro do Sul, produzirá quanto? Sei que a Secretaria de Agricultura municipal é muito competente, deve ter feito um milagre dos bons para colocar o município entre os maiores produtores do país, mas acreditar que só um agricultor da BR-307 produzirá 35 mil toneladas esse ano...

Se for verdade, o Seu Dedimar Lopes deve ser o maior produtor de melancia do Brasil. É mole, ou quer mais?

Veja o trecho da reportagem contando a façanha: 

A propriedade de Lopes fica localizada na BR-307, a cerca de 20 quilômetros do centro de Cruzeiro do Sul. Ele conta que a safra aumentou em mais de 100% em relação ao ano passado “O lucro está superando todas as minhas expectativas e a produção deve chegar a 35 mil toneladas”, explicou.

Veja a reportagem completa AQUI 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"...Posso dizer que Cruzeiro do Sul está preparado para o futuro" e "Não creio que existirão desafios para melhorar a infraestrutura das zonas urbana e rural". V.S.

As frases acima pertencem ao maior líder cruzeirense da atualidade. Aquele que para muitos é a personificação divina da humildade e do amor ao próximo. 

Um exemplo bem ratuíno do "intelectual orgânico" de Gramsci. 
Alguém que cuida da cidade como "nunca antes na história desse município..." se cuidou.

Pois bem, por esses dias ao ouvir a célebre frase, digna de um herói destemido, ensanguentado, que assumiu sozinho os 12 trabalhos de Hércules e os concluiu em poucos dias, já me preparando para acreditar nessa preparação para entrar no futuro (seria esse tal futuro um abismo?) eis que me topo com quatro reportagens mostrando os problemas de Cruzeiro do Sul. (ver reportagens abaixo).

Mas o que me deixou abestalhado foi mesmo a última frase em que tenta nos fazer acreditar que estamos no paraíso caminho certo, que assim basta, que não devemos reclamar de nada.   
"Não creio que existirão desafios..."
Foto: Francisco Rocha no Jornal Voz do Norte
E o lixão de Cruzeiro do Sul, e os "noiados" da Praça da Bandeira, e o trânsito cada vez mais problemático sem calçadas para pedestres, sinalização e estacionamento, e as filas nos postos de saúde?(ver reportagens dos sites VOZ DO NORTE e JURUAONLINE abaixo).

"Na cidade que está pronta para o futuro"(Cruzeiro do Sul) pessoas moram no lixão em casas de papelão e plástico.(Foto: Francisco Rocha no Jornal Voz do Norte) 
"...não existirão desafios..." e o desafio de acomodar milhões de pessoas que chegarão a Cruzeiro do Sul buscando a "cidade do futuro" e "onde não existirão desafios"?

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Era peixe na biqueira, sim!

Talvez nem tivesse completado 10 anos e já perdia tempo com contemplações da natureza. Por um tempo achei que fosse meio aluado. Gostava de olhar o céu, admirava o pôr do sol, e quando chovia... olhar e sentir cheiro de chuva. Ainda hoje, gosto de ver e ouvir chuva caindo.

Hoje, por acaso, descobri que não sou louco, não completamente. Veio-me à memória aquela chuva rápida, pesada, relampeada e trovejada de mais de 30 anos atrás que me colocaria em situação dificílima na escola quando pela manhã todo metido a cientista anunciei ter observado algumas piabas que caíam da biqueira da casa durante a chuva.

Logo na aula de Ciências... Pqp, e ainda por cima a imbecil da professora me odiava (e hoje eu tenho certeza que ela tinha razão de não suportar aquele menino “metido a índio” que insistia em ler mais do que ela e, portanto ter sempre um exemplo pronto sobre qualquer assunto).

Na noite anterior o marido deve ter sojigado e obrigado ela a alguma coisa, pois estava até sorrindo e limitou-se a dizer:

- Antonio, (eu odiava quando alguém me chamava assim, pois Antonio era o nome de santo e tinha ido parar no meu apenas por um acidente de nascimento) pare de fazer piada e preste atenção na aula! Por sorte ninguém tinha coragem de rir na aula da infeliz, mas depois...

Nunca mais falei sobre essa loucura de ver piabas caindo do céu, e só hoje, por acaso achei uma explicação científica sobre o assunto. No site http://sohciencias.blogspot.com
Veja:

Peixes caem do céu
Já houve registros de chuvas incomuns. Um dos fenômenos mais estranhos de precipitação é a chuva de peixes. Obviamente, ela não ocorre da mesma maneira que a chuva normal, em que o processo principal é a formação de nuvens a partir da evaporação d'água. Rara, a chuva de peixes é causada pela passagem de um tornado por um rio ou lago. A força da tormenta é tão grande, que a age como um aspirador gigante que suga muita água e tudo que estiver contido nela. Então a tromba d'água - nome dado a este tipo de tornado - movimenta-se até perder sua força até perder sua força e e desaba em forma de tempestade, fazendo chover água e peixes.
 Não são somente peixes que caem do céu. Há muitos relatos de rãs e sapos que caem do céu. Aliás, chuvas de animais são relativamente comuns, e ocorreram várias vezes ao longo da história. Os mais comuns que caem do céu são rãs e peixes, e certas vezes pássaros. Em raras ocasiões os animais sobrevivem à queda. Os sobreviventes mais comuns são os peixes. Mas normalmente os animais morrem congelados e vem completamente cerrados em blocos de gelo, o que significa que viajaram grandes distâncias e em altas altitudes a temperaturas abaixo de 0ºC.

domingo, 25 de novembro de 2012

Dick Vigarista perde mais uma.

Ainda bem que Vettel venceu o campeonato mundial de Fórmula-1 de 2012. Nem adiantou o Burro Senna quase atrapalhar... Airton Senna deve ter se retorcido no túmulo envergonhado com a barbeiragem do sobrinho.

Aguentar a empáfia do Dick Alonso Vigarista seria demais. Seria, a consagração do mau-caratismo justamente no Brasil. O Brasil não merecia isso. Não é de estranhar que a Rede Globo tenha escolhido o espanhol para bajular. Assim a gente vai pra roça de vez...

Vettel pilotou como um tricampeão. Sem precisar apelar, usar mutretas, vigarices. 

Como é que tem brasileiro que torce pelo Dick Alonso Vigarista? Penélope Charmassa apareceu tentando ajudar, mas já estava escrito: VETTEL TRICAMPEÃO DE FÓRMULA-1!!!

E quanto ao novo Dick Vigarista...


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Resta um...

Ricardo Teixeira, Mano Menezes... resta um tal de Andrés Sanches.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Dança da Galera" em Cruzeiro do Sul... Meu Deus!

Andam espalhando aqui por Cruzeiro do Sul que a cidade tem grandes possibilidades de ser palco de uma eliminatória do "Dança da Galera" do Domingão do Faustão. Será? Pode ser mais um tremendo fuxico, neste quesito Cruzeiro do Sul é imbatível.

Francamente, tomara que seja mentira, mas se for verdade acredito que seremos campeões. Nem preciso saber qual será o adversário de Cruzeiro do Sul, seja quem for, ficará em segundo lugar.

O cruzeirense é especialista em dança. O povo daqui vive dançando.

Dançando na exploração dos preços. Engraçado é que a estrada já está aberta há mais de uma ano mas os comerciantes vivem se escorando no frete para explorar a miséria da população. Mas o povo  vive dançando mesmo é nas escolhas políticas e se arrependendo, e se enganando e se arrependendo, e se f... (não termino porque não gosto de rimas).

Tenho uma sugestão: Sugiro que aproximadamante 18.800 dançarinos invadam o famigerado Gamelão e apresentem o seu show. Gente de todas as bibocas descerão dos "paus de arara" e outra vez reescreverão a História de Cruzeiro do Sul. Uma linda coreografia de cores, números e frases de efeito. Nunca na história...
Quanto aos cruzeirenses ficarão assistindo pela televisão e torcendo para que o "nosso" espetáculo de horrores e de insanidades seja o escolhido. 

Estou pagando para ver.   

sábado, 10 de novembro de 2012

Ipsis Litteris do Blog TERRA BRASILIS


Zé Dirceu, mostre a p* dessas algemas, cara!
Mostre as algemas, Zé!
Condenado, sem passaporte e prestes a ser sentenciado a uma das mais duras penas da história judicial brasileira, José Dirceu não tem alternativa a não ser exibir, com orgulho, as algemas preparadas por Joaquim Barbosa, assim como fez quando foi preso pelo regime militar; leia o texto inédito do poeta Lula Miranda, exclusivo para o 247

Por Lula Miranda *

Foi o que teria dito a José Dirceu, em Setembro de 1969, um dos presos políticos naquele histórico momento de resistência à ditadura militar em que 15 prisioneiros do regime de exceção e arbítrio, que se instaurara no Brasil,  foram libertados em troca do embaixador americano – na fotografia aparecem 13, apenas uma mulher.

Exceção e arbítrio. Palavras malditas. Palavras-emblema  de tempos sombrios.

Segundo relato de Flavio Tavares, hoje jornalista e escritor, ele teria sussurrado aos companheiros na ocasião: “Vamos mostrar as algemas”. Fez isso num insight “de momento” ao notar que os presos que estavam ali perfilados, alguns agachados, como um time de futebol campeão, numa forçada pose para uma foto que viria a se tornar histórica, escondiam as algemas. E por que escondiam as algemas aqueles jovens? Talvez por vergonha. Talvez porque estivessem preocupados em como aquela imagem poderia machucar ainda mais seus familiares e parentes mais próximos. Ou talvez, simplesmente, porque já estavam por demais combalidos e abalados moral e emocionalmente para se preocuparem com aquele peculiar adereço do arbítrio. Não se sabe ao certo, tampouco importa. Mas, insistiu Tavares, naquele “insight” que, ao contrário,em vez de esconder, as exibisse.

Mostre as algemas, Zé! Exorto-lhe nos dias que correm hoje. Dias de incipiente e vilipendiada democracia.

Na foto, podem verificar, percebe-se nitidamente o Zé Dirceu exibindo, intrépido, as malditas algemas.

Eu que não fui amigo daquele jovem idealista algemado de outrora, tampouco conheci o suposto homem “todo-poderoso” do governo; logo eu que o combati na disputa política, até com palavras duras, eu que nunca o vi mais magro,  ouso lhe fazer a mesma súplica: Mostre as algemas, José Dirceu!

Não tenha vergonha de nada; tenha orgulho. Você ainda será, por vias transversas, um preso político. Sim, orgulho! Em que pese a maledicência covarde daqueles que, assim como naqueles dias sombrios de 1969, hoje lhe apontam o dedo, xingam e condenam. São os mesmos – “imortais”, “eternos” porta-bandeiras da (falsa?) moral. Ora se são!

Mostre as algemas, Zé!

Exiba a todos, daqui e para o resto do mundo! Mostre a todos o que se faz aqui no Brasil a homens como você, que prestaram valorosos serviços à pátria; que lutaram com destemor contra a ditadura; que ajudaram a eleger o Lula; que empenharam a sua vida e juventude no afã de mudar um pouco a feia face desse país tão injusto com seus filhos, ajudando a implantar políticas públicas que tiraram milhões da miséria e do desalento.

Mostre a p* dessas algemas, cara! Para o bem e para o mal. Para o orgulho dos amigos e  regozijo dos inimigos.

Confesso que esperava que o julgamento do STF fosse “emblemático”, justo. Não “justo” pelo mesmo metro, critério ou “premissas” com que a imprensa insuflou e ensandeceu as galerias. Mas justo “de verdade”: que fossem condenados os culpados, aqueles que tivessem suas culpas efetivamente comprovadas. Sim,  que fosse uma firme sinalização rumo ao fim da impunidade no Brasil. Mas não foi isso exatamente o que se viu. Não foi isso que testemunhamos. Houve erro e exagero. Do Supremo. Da mídia grande em geral. Uma caricatura. Entre erros e acertos, a injustiça foi soberana.

Os ministros demonstraram-se, desgraçadamente, um tanto tíbios, vaidosos e suscetíveis à pressão e clamor da turba, de modo irresponsável manipulada e insuflada pela opinião publicada.

Você foi condenado sem provas. Isso é fato, irretorquível. Foi condenado sem provas, repito. Foi condenado com base em  suposições e suspeitas, com bases em capciosos “artifícios” jurídicos, tais como a hoje célebre “teoria do domínio do fato”. Uma excrescência, uma espécie de “licença poética” do golpismo – com o perdão dos poetas, por aqui aproximar as palavras “poética” e “golpismo”.

Eu poderia “achar” que você era culpado. O meu vizinho poderia achar que você era culpado. O taxista poderia achar. Todo mundo poderia “achar” que Zé Dirceu era culpado. Mas um juiz, seja do Supremo ou de 1ª instância, não pode, em absoluto, “achar” que você ou qualquer outro é culpado. Isso é uma ignomínia – como você tem se cansado de dizer, reiteradas vezes, em suas manifestações. Não nos cansemos de, indignados, exclamar: uma excrescência, uma ignomínia!

Zé, mostre as algemas! Elas são o espúrio troféu que lhe ofertam os verdugos!

Nunca pensei em sair do meu país, Zé, agora já penso com carinho e desconforto nessa possibilidade. Como posso viver num país em que minhas garantias fundamentais de cidadão não são respeitadas?!

Que país é esse?! Que Justiça é essa?!

Quebrou-se a pedra fundamental de toda nossa estruturação jurídica: a presunção da inocência. Em seu lugar colocaram a presunção da culpa. Parece piada, de mau gosto, decerto, mas não é. Como já disse antes, repito: não se é permitido fazer graça com a desgraça alheia. E sua vida foi desgraçada, Zé.

Mostre as algemas!

Veja bem, se você – insisto, reitero – um homem que tantos serviços prestou ao país, um homem respeitado por intelectuais, políticos e autoridades do mundo todo foi enxovalhado dessa maneira, submetido à execração pública pela mídia. Desonrado, chamado de “quadrilheiro”, “mensaleiro”, “ladrão”, o que fariam com um “poeta marginal” como eu? Um homem qualquer, sem galardão algum, sem cânone, sem mérito.  Parafraseando certa atriz de cenho angelical, “namoradinha” desse mesmo Brasil: tenho medo.

Não sei que monstro o STF e a grande imprensa estão ajudando a criar. Mas uma coisa eu lhe asseguro: é assustador.

Para aqueles que, sem questionar, acham justa a sua condenação e prisão eu pergunto; para os “inocentes úteis” que aceitam sem titubear esses consensos forjados e essas verdades absolutas que a grande mídia sopra, todos os dias, em nossas consciências nos telejornais e nas manchetes dos jornais estampadas nas bancas; faço-lhes a pergunta que não quer calar: porque criminalizam e prendem somente os petistas e mais alguns “mequetrefes” da chamada “base aliada” do governo Lula?

Por que essas práticas de sempre na política, hipocrisia à parte, agora “ilícitas” e “criminosas”, só são permitidas aos “de sempre”? Por que os sessenta e tantos investigados no chamado “mensalão mineiro” [não é tucano?!] não foram acusados/denunciados? E não serão jamais – pois para estes o crime é eleitoral; é caixa 2, já prescreveu [“Dois pesos, dois mensalões” – by Jânio de Fritas]. Já quando são petistas os agentes da ação...   é corrupção; é “golpe”; são “práticas espúrias”, “criminosas” de um partido, digo de uma “quadrilha”, em “sua sanha de se perpetuar ad eternum no poder”. Não, essas palavras não vieram da tribuna do Senado ou da Câmara dos Deputados,  não saíram da boca de algum político da oposição, mas – pasmem! –  foram proferidas por ministros do Supremo. Por ministros do Supremo, repito! Juízes na Ação Penal nº 470. Vejam a que ponto chegamos!!!

Mostre as algemas, Zé! Mostre as algemas!

Essas tais “práticas ilícitas” ou “criminosas” não deviam ser permitidas a ninguém - não é mesmo?  A Justiça não deveria ser igual para todos?!

Qual a resposta a esse singelo por quê?

Por que só os petistas são condenados, execrados  e presos?

A resposta também é simples: para que o poder permaneça nas mãos dos "de sempre", nas mãos dos eternos “donos do poder”. As chamadas “regras do jogo”, até as bastardas, servem apenas para a parte podre das nossas elites; quando é para os “do lado de cá” aí deixa de ser “regra do jogo”, passa a ser crime; “práticas espúrias”; “compra de voto”.

Faço um singelo convite a todos: vamos pensar o país, no qual  a gente vive, um pouco além da hipocrisia, do partidarismo, do "falso moralismo" e dos "manchetismos grandiloquentes" de uma imprensa que serve aos interesses de determinada classe social e ideologia. Mais temperança e equilíbrio aos juízes Supremos e nem tão supremos assim, o  chamado “cidadão comum”.

Não podemos nos dobrar a esse estado de coisas. Não podemos nos calar e assim sermos cúmplices e testemunhos silentes dos erros dos tribunais. Repito: o Supremo exagerou; a mídia exagerou.

Quadrilha?! Onde? Compra de votos?! Penas de reclusão superiores a 30 anos! Há aí um nítido erro na tipificação dos crimes, nas condenações  e exagero na dosimetria das penas. O que é uma pena. Pois isso poderá até favorecer aos condenados, pois essas condenações injustas e essas penas exageradas certamente serão revistas algum dia, por esse ou por outro tribunal. Espero, sinceramente, que sejam revistas por esse mesmo colegiado, pois ali também estão homens de valor. E que essa vergonha, esse grave equívoco não se perpetue.

Nesse momento, só me resta dizer...

Mostre, com orgulho, as algemas, José Dirceu!

* Lula Miranda é poeta, cronista e Economista. Foi um dos nomes da poesia marginal na Bahia na década de 1980. Publica artigos em veículos da chamada imprensa alternativa, tais como Carta Maior, Caros Amigos, Observatório da Imprensa, Fazendo Média e blogs de esquerda