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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Analogia do Êxodo

Quinta-feira (01/10/2009), acompanhei pela TV Juruá a entrevista do Desembargador Dr. Arquilau de Castro. Nunca falou comigo, mas o admiro profundamente, por ser um cruzeirense que nos orgulha . Dr. Arquilau é um saudosista e um apaixonado pela História do Juruá.


Na entrevista, bem conduzida pelo apresentador Marceli Tomé, Dr. Arquilau foi franco e sem restrições a polêmicas. Como a conversa enveredou pelos escândalos e desmantelos da política, com destaque para o alto parlamento(senado) ele apresentou algumas possibilidades de justificativa.


Um dado assombroso: O Estado do Acre é o estado com o maior percentual de eleitores analfabetos do Brasil. Segundo informou, são nada menos que 16% deles que usam a almofada de carimbos para “assinar” o nome.

Pelos números do Estado, acredito que aqui em Cruzeiro do Sul esse percentual possa chegar ou superar os 20%. Registre-se o detalhe, que a Justiça Eleitoral não inclui entre esses, os “analfabetos funcionais”, que são os que apenas “desenham” o nome.

Já deve ter alguém pensando: "a culpa é do PT..." Não é não. Crianças de 12 anos não votam.

Seria uma justificativa às nossas péssimas escolhas?

Dr. Arquilau tem uma resposta interessante: Para ele, o processo eleitoral é como uma tarrafa que se lança no rio. Uma vez lançada pode pegar todo tipo de peixe, do melhor e mais valorizado ao pior e menos valioso. Porque o processo não exclui os analfabetos. Nem como eleitores nem como candidatos. Falou e disse.


Deveras, o resultado da pescaria geralmente é ruim porque temos pescado em águas conhecidas e pouco profundas, talvez até por medo de enganchar a tarrafa, não temos ousado. E mais, às vezes pegamos qualquer porcaria porque usamos malha fina. Não seria o momento então de pescar com uma “malha mais esperta”, no dizer dos pescadores?


Não sou um grande tarrafeador(embora saiba lançar numa garupa), mas aprendi que na piracema, de mandim principalmente, malha miúda só empalha a pescaria.

A política é uma piracema onde o IBAMA é a Justiça Eleitoral.E a piracema já se aproxima, eu mesmo já vi ali pelo Cruzeirao(no Aniversário da cidade) alguns cangatis e tamboatás.


É hora de fiscalizar o tamanho da malha para evitar estragos iguais aos que se vê na piracema, onde o sujeito pega um peixe ruim, sem valor e como não vende, tenta se livrar dele, mas aí já é tarde.


Numa piracema dá para selecionar os peixes apesar de que as piranhas se infiltram nos cardumes de pacus e os cornos e os bacus se infiltram no meio dos mandins e bicos-de-pato.


Buscando mais respostas recorro à Bíblia para fazer uma analogia.

No Livro de Êxodo, contam que os hebreus, livres do cativeiro do Egito, recolheram todos os seus pertences e partiram em direção à Terra da Promissão. Durante 40 anos vagaram num deserto que mesmo com todas as maçadas, percalços e atrasos, se atravessa em menos de 15 dias de caminhada.


O motivo de tanta maçada? Não é muito claro, mas bastante lógico:

A terra era nova, o pacto era novo, e o Senhor não permitiria que aqueles que viveram sob a idolatria dos egípcios povoassem a Terra Prometida. Quarenta anos era o tempo necessário para que o povo se purificasse com a morte dos mais velhos.


Onde nós cruzeirenses nos situamos na história? Simples assim:

Nós, os nascidos nos seringais (e somos muitos por aqui), ainda carregamos conosco alguns maus costumes. Fomos educados para aplaudir e temer autoridades. Nascemos e crescemos na ditadura, não fomos preparados para a liberdade das escolhas políticas.

Quem viveu da seringa não pode viver sem patrão. Quem viveu na miséria, não perde a mania de reclamar. Quem comeu o pão que o diabo amassou...


Assim, profetizando, feito o povo hebreu vagaremos ainda errantes pelo deserto da estupidez e do analfabetismo político, décadas e décadas.


A Prometida Terra estará sempre ali, mas feito tontos e amaldiçoados, erraremos o rumo.


A Prometida Terra não será para nossos pés, nem para nossos corpos. Quando muito, como consolação, tal qual a Moisés no alto da montanha, a veremos ao longe, a 700 kilômetros de distância...


Será para nossos filhos e netos, não para nós, pecadores e escravos dos Faraós.

2 comentários:

Esmaily Negreiros disse...

Agora fiquei triste, mas como sou meio novo, talvez alcançe a prometida terra que cistaste no texto, hoje, poucos são os cidadãos, a maioria "se dá e dão" em troca de meros comprimidos e esmolas.

Izau Melo † disse...

Bom, não querendo desmerecer os demais textos, todavia esse aqui é o que eu julgo o mais inteligente de todos, há uma sutileza escarnecedora, uma crítica bem feita, aquela que beslica o brio do mais inteligentes, gosto de textos assim, é uma pena que muitos dos que deveriam sentir o gosto cítrico de cada palavra, na verdade estão dormentes a essas "verdades inconvenientes"

Meus parabéns e viva a liberdade de expressão...

Ah! não deixe de ler: http://www.textosetexticulos.com/2009/10/solucao-para-o-mundo-e-se-apaixonar.html