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sábado, 8 de janeiro de 2011

Francisco Batista de Almeida, parabéns!

Hoje, meu avô materno completa 88 anos de idade. Parabéns, meu avô!
Para quem venceu 88 anos, um parabéns assim deve ser muito pouco. Além do bolo e das velas que soprará (acredito que serão as primeiras de um aniversário dele), como uma reverência, peço desculpa aos amigos utilizando este espaço para homenageá-lo. Publicando alguns trechos da sua biografia (que será incluída na Construção Social de Porto Walter) vou coloca-lo definitivamente na História.

Francisco Batista de Almeida - Também conhecido por Chico Jararaca. Nasceu em 8 de janeiro de 1923 uma praia acima da foz do Igarapé Esperança, três praias abaixo de Porto Walter numa colocação chamada Laranjeira, na margem direita do Rio Juruá.
Filho de João Batista de Almeida e Maria Salomé da Silva provenientes do Ceará, aqui chegaram recém-casados. Antes que completasse dois anos o pai abandonou sua mãe com os filhos (os outros eram Santana, Raimunda Salomé e Expedite) e foi embora para o Seringal dos Bussons no estirão do Mazagão (Fazenda São Geraldo) e depois para Cruzeiro do Sul vindo a se ajuntar novamente sem ter filhos.
Foi batizado pelo Monsenhor Barrat por volta de 1925 quando este empreendeu uma de suas desobrigas ao Alto Juruá.
Maria Salomé ajuntou com Manoel Francisco da Silva (Mané Chico) e mudaram para o Alto Igarapé Esperança próximo ao lago do mesmo nome, vizinhos de mais duas casas. Suas melhores recordações são desse período, uma época de fartura com carne de caça, peixe do igarapé, criação de galinhas e de um chiqueiro de jabutis que vivia lotado. Plantavam feijão e cortavam seringa. Lembra que o padrasto quase todo dia quando chegava da estrada de seringa trazia um porco ou um veado.
Do novo casamento com Mané Chico nasceram: Antonio Francisco, José Francisco, Pedro Francisco e Paulo Francisco, Cecília, Joaquim Francisco, Edite e Antônia.
Na época que a borracha não valia mais nada mudaram para a vila para plantar praia. Nessa época os patrões quebraram e os barracões de mercadoria ficaram quase vazios e alguns fecharam. Um desses patrões era o Barahúna (Brancisco Correia Barahúna).
Em 1929 durante uma semana estudou na escola do Professor Arraes (Raimundo Mendes de Brito Arraes) que era auxiliado por sua filha Djanira Moreira Arraes.
Quando o preço da borracha levantou novamente o Gabriel (Gabriel Arcanjo do Nascimento) que vivia negociando numa canoa com remador associou-se ao Barahúna. Gabriel comprava mercadoria em Manaus e Belém e as transportava ao barracão enquanto Barahúna as negociava. Os homens de confiança deles eram Alcides Rodrigues e Dodô. Na época dessa sociedade já cortava seringa.
Com o tempo os dois sócios apartaram a sociedade.
Quando veio a convocação para a 2ª Guerra Mundial ainda foi alistado, depois disseram que quem fosse casado também se fosse pra guerra o salário seria dobrado. Arrendou logo duas estradas e casou com a Senhora Maria de Lourdes de Almeida, viúva, filha de um fulano de tal Zeca Panela (do Seringal Panela). O pedido de casamento foi feito pelo patrão Gabriel Arcanjo.
Lembra ainda do tempo que em Porto Walter tinha juiz de direito, promotor de justiça e delegado.
Do casamento para escapar da guerra nasceram 14 filhos: Raimundo (faleceu em 1987), José, Altamir, Acrísio (desaparecido), Adalberto (falecido), João, Michael, Francisco, Maria, Fátima, Bernadete, Tereza Cristina e Perpétua.
Foi casado no religioso pelo padre Luiz Vorsthein no inicio de 45, e no civil pelo Delegado e Juiz de Paz Walter Alves de Carvalho em 1950.
Inicialmente residiu numa casinha de paxiúba perto do Igarapé Maloca onde depois o padre fez um engenho. Depois construiu a casa na margem do rio a sombra de duas mangueiras.
Em 1953 enquanto ajudava na construção da igreja também construía uma casa melhor, casa toda em madeira serrada e coberta com telhas (1.600, adquiridas do padre) ao lado de um antigo depósito do primeiro explorador da localidade o Cel. Absolon.
Morou ali até 31 de março de 1980 quando mudou para Cruzeiro do Sul indo residir no Bairro João Alves à Rua Alfredo Teles número 653.
Embora tenha se aposentado como Soldado da Borracha, exerceu a profissão de carpinteiro principalmente em Porto Walter onde construiu ou ajudou a construir diversas casas, entre elas as casas de comércio e morada dos Barbary, o Salão Paroquial, o Seminário e a Igreja (as 4 colunas de madeira do interior que dão sustentação ao telhado foram lavradas por ele com apenas um machado).
Apesar de já trabalhar como carpinteiro foi com o Ir. Schang durante a construção da igreja que aperfeiçoou a técnica da carpintaria.
Em 2008, já viúvo, passou a residir com meus pais na Rua Boulevard Thaumaturgo, no Bairro Alto da Gloria em Cruzeiro do Sul.

Um comentário:

Luíz Almeida disse...

Meu amigo Fram... Obrigado por essa biografia, o velho merece... honesto, trabalhador, austero e que com certeza, independente de qualquer coisa, todos nós nos orgulhamos e aprendemos a respeita-lo. bem como, acredito q cada um de nós, principalmente os mais velhos temos algo q aprendemos com nosso "vô"
Visitei muito sua "velha caixa de ferro", sempre a procura de um serrote, martelo, formão, plaina, enfim... p nossas traquinagens, mais aí de quem n deixasse um ferro no lugar ou passasse um serrote num prego, rs...rs...