Este é um blog de opinião. As postagens escritas ou selecionadas refletem exclusivamente a minha opinião, não sofrendo influência ou pressão de pessoas ou empresas onde trabalho ou venha a trabalhar.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O leite em pó e a vaca (em pé)


O artigo foi pescado no Blog do Ornelas e pelo que conheço
os personagens citados não ponho nem tiro uma única
vírgula. Ornelas é um carioca apaixonado por nossa cultura
e tem conseguido captar como poucos a marra do juruaense. 
Blog do Ornelas e Voz do Acre são páginas administradas
por ele. É daí pra melhor.
   

O leite em pó e a vaca (em pé)

Um homem muito simples da zona rural, cabisbaixo, mãos calejadas, se aproxima humildemente do prefeito Pedro Negreiros, e conta o drama que lhe atormenta a vida por demais.

- Seu prefeito, eu preciso muito da sua ajuda. É porque me preparei para receber o meu filho que ia nascer, mas aí a minha mulher teve logo três crianças de uma vez.


- E agora? Indaga Negreiros, admirado com a situação.

- Agora danou-se tudo, e não sei mais o que fazer. As fraldas, as roupinhas, o leite... Tudo que comprei não serve mais de quase nada.

O prefeito então manda chamar um assessor e lhe pede que vá à rua comprar um enxoval completo de recém-nascido, com muita fralda, e quatro latas de leite em pó. Passado algum tempo, já de posse dos presentes, o agricultor pergunta.

- Ouvi dizer que seu Orleir gosta muito de ajudar as pessoas. O senhor acha que ele me ajuda também?

- Não sei não, mas dê um pulo até lá. Quem sabe ele ajuda.

Nesse tempo Orleir ainda não pensa em ser governador, nem prefeito. Mas já sabe como agir, ao modo dele, diante da romaria interminável de pedidos de ajuda. Quando o homenzinho consegue se aproximar, nem bem termina a história e Orleir, um gigante, vai logo gritando para um dos empregados.

- Ei, você! Diga ao vaqueiro que estou chamando ele aqui.

O homem se sente acuado perto de pessoa tão importante, que toma decisões rápidas, aos gritos. Quando o vaqueiro chega o patrão vai logo dizendo:

- Escolha lá entre as vacas leiteiras, uma que dê bastante leite. Empresta pra ele levar pra casa. É pra amamentar as crianças. Depois ele traz a vaca de volta.

O homem se curva agradecido, ainda não acredita no que está acontecendo. Agradece várias vezes. Não sabe se ri ou se chora.

Quando tinha andado uns quarenta metros, Orleir grita ainda mais alto.

- Volte aqui de novo!

O agricultor estanca de repente. O coração dispara. As pernas endurecem. Mal consegue se mover.

- Ichi! Fala baixinho só para o vaqueiro ouvir: Deus me defenda, mas o homem se arrependeu e já vai pegar a vaca de volta.

- Olha, eu pensei melhor, disse Orleir. A vaca é sua e das suas crianças, não precisa mais devolver não. Fique com ela.

- Sim, senhor. Então tá bão.

Mais tarde, o agricultor pai dos trigêmeos e dono da vaca, encontra-se novamente com Pedro Negreiros, e vai contando logo o acontecido.

- Foi, foi?

- Mas foi mermo, disse ele feliz.

Quando o sujeito sai, Negreiros comenta com o assessor:

- Que vergonha. Eu sou o prefeito da cidade e dou só quatro latas de leite, achando que estou fazendo grande coisa. E esse Orleir, que nem vereador é, dá logo uma vaca inteira.

O Dia das Crianças vem aí! E essa é a homenagem deste Blog a todos que se importam com elas.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Gasolina a R$3,09? Aqui? "Erar e umano" (mas assim já é demais)...

Um famigerado site de notícias da capital publicou:


Onde, quando, em que posto? 

Bem que há tempos já andava desconfiado das baboseiras e toletices postadas ali, principalmente as pesquisas e opiniões sobre a liderança e endeusamento de alguns políticos daqui. 

Publicar notícias desse tipo quase que diariamente é assinar o atestado de burrice. Só para comprovar que seus correspondentes aqui no Juruá são uns abestados.

Gasolina a R$3,09 aqui, com os empresários que temos? Abasteço toda semana e há mais de 1 ano não baixa de R$3,30. 

O cidadão que fez mais essa "pesquisa" deve ser correspondente em Valfenda, a terra onde ainda é permitido sonhar. Aqui, está cada vez mais caro.
Site da imagem: forum.valinor.com.br

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Blatter, o Imperador.

Por muitos anos sonhei com uma Copa do Mundo no Brasil.

Muito se falava, mas parecia realmente um sonho. Até que alçamos à Presidência da República um brasileiro apaixonado por futebol que resolveu comprar a briga e exigir a realização de uma copa no Brasil. 

Valeu acreditar no sonho, pois antes de descer a rampa do Planalto pela última vez Lula conseguiu emplacar logo duas copas (2014 e 2016, para quem considera a Olimpíada um evento de importância até maior que uma Copa do Mundo. 

Era estranho, e muito, que o presidente da FIFA por duas décadas tenha sido um brasileiro e nada. Era realmente um sonho. 
Depois de 50 (a única realizada por aqui e que fomos vice) ganhamos cinco títulos mas sempre em terras estranhas, nunca em casa. 
Sem querer desmerecer nenhum país, o México que não tem expressão nenhuma no futebol realizou dois mundiais (70 e 86), a Suécia (58), o Chile (62), os EUA (94), a Coréia e o Japão (2002) e até a África do Sul (2010).

Depois de 64 anos, a Copa voltará ao Brasil. 

Como não poderia deixar de ser, e só para confirmar a nossa fama de "relaxados", apenas três estádios estão com as obras em dia. Nos demais, atrasos, suspeitas de superfaturamento e burocracia.

Parece que o atraso é proposital, só para pedir mais...a diferença entre o que se pretendia gastar e o que se deve gastar, pode chegar a 500 milhões.

Na Europa, um estádio para 50.000 espectadores custa em média 200 milhões. No custo Brasil, dois estádios devem se aproximar de 1 bilhão. Tudo bem, nada muito escandaloso, a gente já está acostumado, mas que revolta...

Sem falar que a Copa do Mundo em estádio é um evento para quem tem um certo poder aquisitivo. Pobre mesmo, quebrado, vai assistir como tem assistido, não importa o lugar, pela Rede Globo, que é quem paga mais e "compra" os direitos de transmissão. Em alguns casos, um aparelho de tv custará menos que o ingresso. 
  
A realização do mundial no Brasil precisa de ajustes. Algumas regras adotadas no estádios do Brasil contrariam os interesses da FIFA. Por aqui, é proibida a venda e o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios, mas a FIFA exige a liberação e pressiona o governo federal para "aperfeiçoar" uma lei conquistada a muito custo. Se com a lei-seca nos estádios a violência tem ditado as regras, imagine se liberar.  

E ainda tem o "problema" da meia entrada para estudantes. A FIFA não aceita falar em gratuidades. Vão esperando que os estudantes aceitem, se já derrubaram um presidente... Deputados e senadores lacaios podem "afinar", mas os estudantes, sei não... 

Não se deve fazer concessões desse tipo. E a nossa soberania? 

A menos que a FIFA seja o maior império da terra e Josepf Blatter o seu imperador, mas um daqueles grandes, feito Otávio ou Napoleão.

Se vão trazer a Copa para o Brasil que ela se adeque a nossa realidade e não o contrário.

Digam á FIFA que com essas "condições" podem realizar a copa nos Estados Unidos, Inglaterra, Irã, Terra-média, Liliput... 
Site da imagem: xicomalta.com

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Terra dos Náuas?

Hoje por ser comemorado mais um aniversário de fundação de Cruzeiro do Sul venho lembrar dos nossos primeiros moradores.

Nada mais irritante aos meus ouvidos e tão sem propósito que a frase feita, TERRA DOS NÁUAS para evocar a cidade de Cruzeiro do Sul.

São Paulo é chamada TERRA DA GAROA, e pelo que sei tem garoa.

O Rio de Janeiro é chamada CIDADE MARAVILHOSA, e fora a violência e outras mazelas, em relação às belezas naturais é um título que lhe cai bem.

Mas e quanto a nós? Onde estão os Náuas, guerreiros implacáveis que barraram a expedição de nada menos que Willian Chandless,o maior geógrafo a chafurdar pela Amazônia.

Mortos, perseguidos, escorraçados para as cabeceiras dos igarapés, longe de suas terras.

Nada mais sem criatividade que "Terra dos Náuas", se pelo menos os Náuas ainda estivessem por aqui...

Não sou daqueles que vivem acusando os primeiros exploradores de tirania e os lançando na fogueira pelo tratamento dispensado aos habitantes acreanos em meados do século XIX. Era o costume, mas daí a ficar romantizando...

Isso é babaquice, hipocrisia. Se os Náuas eram importantes por que não os preservamos? Será que não havia espaço para todos? Tanta terra...

Tem sido assim, primeiro se mata, se deixa que mate, depois se homenageia, se ergue uma estátua, um monumento.

Agora não adianta mais, se eu fosse descendente dos Náuas buscaria na justiça uma forma de impedir que usassem meu nome dessa forma. Times de futebol, marcas de produtos, ruas, menos nas pessoas...TERRA DOS NÁUAS,  entenderia como deboche.

Passados mais de 130 anos da invasão das terras juruaenses, quem são os "caciques" de Cruzeiro do Sul? Quem são na atualidade os donos do poder? Pelo que sei, nenhum deles é descendente dos Náuas.
Assim, quando se referirem à Cruzeiro do Sul, pensem que aqui é a TERRA DOS SERINGALISTAS, DOS FILHOS DOS SERINGALISTAS, DOS CORONÉIS, DOS POLÍTICOS DEMAGOGOS.
A foto acima é de um desfile de 28 de Setembro (1980). Como sempre as escolas homenageiam as tribos indígenas que habitaram a região. Brancos "trajados" de índios para celebrar a "invasão".

Hoje na História

28.09.1904 - O coronel do exército brasileiro Gregório Thaumaturgo de Azevedo, funda em terras do Seringal Centro Brasileiro, o povoado Cruzeiro do Sul.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Elogio à retranca

Estive ontem no Cruzeirão para apreciar Porto Walter versus Rodrigues Alves (não Rodrigui Alvi conforme alguns menos atentos). 

É o Copão do Vale do Juruá (menos Tarauacá, Feijó, Envira, Ipixuna, Eirunepé...). Sem a presença dessas representações fica mais fácil a nossa Seleção vencer, certo?

Era para ser, mas não é bem o que tem acontecido em campo. Veja alguns resultados: Cruzeiro 1 x 1 Guajará; Porto Walter 3 x 1 Mâncio Lima; Cruzeiro 1 x 1 Marechal Thaumaturgo. 

Resumindo: Cruzeiro do Sul, a toda poderosa, dos profissionais do Náuas não ganhou de ninguém até agora e só não ficou fora das semifinais porque os organizadores do "Copão" criaram um regulamento que em caso de empate no número de pontos, o primeiro critério de desempate é "menor número de gols sofridos".

Estranho, lá no Brasil ou fora dele, o primeiro critério é "saldo de gols" ou "número de gols marcados". Premia o ataque, o espetáculo. No aleijo de regulamento, um 0 x 0 vale mais que um 3x3, pode?

Aqui pode, e ainda bem, pois evita um vexame maior. 

Hoje Porto Walter e Rodrigues Alves retornam a campo para disputar a primeira semifinal. Tanto faz, pois o vencedor perderá na final para a Seleção de Cruzeiro do Sul, na bola ou no "regulamento". 

Vá lá, depois me diga.

domingo, 25 de setembro de 2011

Só não esqueçam de combinar com o povo...

Tenho acompanhado as últimas "jogadas" (ou armações) políticas aqui por Cruzeiro do Sul e para mim, tanto faz. Nem fede nem cheira. Posso ser rotulado de arrogante (ou alienado), mas me considero alheio a tudo isso.
   
Certo partido (o jurássico), anunciou com estardalhaço o retorno de nomes de "grande" importância política. Outro, um mais jovem, evocou a união de "famílias tradicionais" em prol de um projeto. 

Pois bem, nossa miséria intelectual e mesmo moral, é única e exclusiva de tais "famílias tradicionais" e de "grandes nomes da política".

Armem, planejem, calculem, só não esqueçam de combinar com o povo. A massa (mesmo tendo se mostrado incapaz de fazer cálculos, mesmo os mais simples) já barrou alguns deles. 

Para alguns desses, só amparados ma máxima de John Galbraith: Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta. 

Pode parecer que não, mas o povo está (mesmo bem lentamente)  aprendendo a exercitar a memória.