Este é um blog de opinião. As postagens escritas ou selecionadas refletem exclusivamente a minha opinião, não sofrendo influência ou pressão de pessoas ou empresas onde trabalho ou venha a trabalhar.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quando em meu peito...

Lembrança de morrer  (Alvares de Azevedo)
 
Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
 

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
— Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh'alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade — é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos — bem poucos — e que não zombavam
Quando, em noite de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
 
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo....
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nelas
— Foi poeta — sonhou — e amou na vida.—

Sombras do vale, noites da montanha
Que minh'alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d'aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua prantear-me a lousa

sábado, 28 de agosto de 2010

Se Luiz vencer...


Não será com meu voto. Prefiro mil vezes votar em Tiririca, os palhaços pelo menos têm a sina de nos alegrar e nos fazer rir.



Não será com o voto dos que tem consciência.



Não será com o voto dos alfabetizados.  Prefiro mil vezes votar num jumento, ele pelo menos nunca foi à escola...



Se Luiz vencer, será a desmoralização da justiça política, será uma vergonha política, um fracasso da consciência dos cruzeirenses.



Durante três anos e meio, não se vê Luiz. Onde Luiz se esconde? Nem no dia da eleição, Luiz aparece, há quem garanta que Luiz nem vota.



Mas, desgraçadamente, como uma doença terrível, contagiosa, quando se imaginava curado ela ressurge, assim é Luiz, mais vivo que nunca – eleito.



Não se conhece um projeto de Luiz. Luiz nem fede, nem cheira.



Por motivos assim, é que acredito que a eleição de Luiz será uma vergonha para a consciência.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Imagine se não houvesse "perseguição"...

Toda eleição é a mesma ladainha, como um violão de uma corda só: "Governo perseguidor, que não deixa o pobre tirar uma vara de mosquiteiro". "Governo dos macacos, dos índios..."
Vê se vocês se mancam, bando de palhaços, mudem o discurso. O povo que ouvir propostas!
Olha aí a realidade, olha a seca no mundo, a fumaça, vôos cancelados, a falta de água, rios secando...
Imagino se não fosse a "perseguição"...

A notícia publicada no site Tribuna do Juruá, dá conta de uma crise no abastecimento dos municípios de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo.

Vazante do Rio Juruá causa desabastecimento em Porto Walter e Marechal Thaumaturgo

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Pequenas embarcações transportam apenas produtos essenciais para abastecer o comércio. A falta de combustível já compromete o transporte escolar em Marechal Thaumaturgo, crianças estão trocando o barco por horas de caminhada. 
O município de Marechal Thaumaturgo com pouco mais de 13 mil habitantes é um dos mais isolados do Estado do Acre. Fica localizado no Alto Juruá na fronteira do Brasil com o Peru e depende do transporte fluvial para se manter. Mas com o verão intenso, o Rio Juruá está apresentando uma das maiores vazantes dos últimos anos e o abastecimento do município está comprometido.
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Atualmente cerca de 20 barcos estão encalhados no percurso entre Cruzeiro do Sul e Marechal Thaumaturgo. Para não deixar faltar os produtos essenciais para o sustento da população, os comerciantes estão utilizando a seguinte logística: Quando uma embarcação é deslocada de Cruzeiro do Sul carregada de mercadoria, um barco de porte ainda menor é enviado de Marechal Thaumaturgo, assim que a embarcação de maior porte encalha, a carga é repassada para o barco menor que retorna ao destino.

O comerciante Francisco Vieira Silva, conhecido por Chicó, saiu de Marechal Thaumaturgo nessa quinta-feira (26) ao encontro de um barco com mercadoria de sua propriedade que deixou o porto de Cruzeiro do Sul há uma semana. De acordo com ele, embarcações que no período de cheia faziam levavam três dias na viagem, atualmente chegam a passar 20 dias no mesmo trajeto. “Estamos transportando aquilo que é básico, nós comerciantes pagamos frete que está bem mais caro com essas dificuldades. Pra você ter uma idéia, só o transporte de uma saca de cimento de Cruzeiro do Sul até aqui, está custando trinta reais”, comenta Chicó.  

Situação parecida estão vivendo os moradores do município de Porto Walter que apesar de ficar mais próximo de Cruzeiro do Sul, também é isolado via terrestre e tem total dependência do transporte fluvial. Segundo o comerciante Zezinho Barbari, vários produtos estão faltando no comércio local.

Vazante prejudica aulas

Nesses municípios, a maioria das escolas é localizada nas comunidades ribeirinhas ao longo dos rios. Os alunos são transportados de barcos até as escolas, percorrendo horas de viagem. A vazante do Juruá está prejudicando o transporte dos estudantes, principalmente no município de Marechal Thaumaturgo. Segundo a secretária municipal de educação, Sandra Pinheiro, alunos que eram transportados de uma só vez apenas em um barco, agora são divididos em três pequenas embarcações que ainda precisam ser arrastadas em alguns trechos, para ultrapassar os obstáculos como galhos de árvores e bancos de areia.

 Com um maior número de barcos em circulação, cresce também o consumo de combustível que já está faltando no município. Segundo Sandra Pinheiro, mensalmente são gastos 8 mil litros de gasolina e 7 mil de óleo diesel, só no transporte escolar. Para não ficar sem estudar, alguns alunos chegam a caminhar por mais de duas horas as margens do Rio chegar até as escolas, mesmo assim, já teve dias em que as aulas foram suspensas em algumas instituições, por falta alunos. 
 
www.tribunadojurua.com - Genival Moura


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Sobre a pesquisa Data Folha...


Eleição não depende mais de Serra

O resultado da pesquisa Datafolha apontando a disparada de Dilma Rousseff, que agora se posiciona 17 pontos percentuais acima de José Serra e poderia levar a eleição já no primeiro turno é um marco na campanha. A partir de agora, Dilma só não será a próxima presidente do Brasil se errar muito. Já não depende mais dos acertos de Serra, mas dos erros da candidata petista. Sim, porque Serra pode fazer tudo certo e ainda assim perder a eleição - inclusive no primeiro turno. Com tamanha dianteira, Dilma só perde se fizer muita bobagem. Muita mesmo. Um amigo do blog escaldado em campanhas revelou neste final de semana: olha, ela precisa fazer muita besteira para perder esta eleição.

E o problema todo, para o PSDB, é que não bastassem os acertos da brilhante propaganda eleitoral de Dilma, o marketing de Serra é todo errado e errático. Afinal, Serra é amigo de Lula ou seu opositor? Este nó está na cabeça de todos os eleitores que assistem o horário eleitoral. Não dá para ser as duas coisas. Ou bem se diz que Serra será continuador da obra do presidente ou se parte para uma ação agressiva contra o atual mandatário. O que não dá é para fazer as duas coisas ao mesmo tempo, como Luiz Gonzáles parece ter plenejado. É isto que está ocorrendo - Serra bate e assopra, beija e morde. Ninguém gosta de gente assim, dúbia, traiçoeira.

Faltam 40 dias para a eleição. Não é muita coisa. Se este blogueiro fosse José Serra, a partir de agora a luta seria para menter, ao menos, a votação obtida contra Lula em 2002. Menos votos será um vexame grande. Menos do que obteve Geraldo Alckmin em 2006 será um vexame enorme.

Tudo somado, Serra está sem rumo, abandonado pelos aliados. O ex-governador de São Paulo já se via recebendo a faixa de Lula e não deu a atenção necessária à montagem dos palanques regionais, que é, sim, importantíssima no Brasil. Lula, ao contrário, abriu mão de diversas candidaturas petistas - Minas é o caso mais emblemático - em nome da aliança com o PMDB. O futuro vai mostrar quem teve melhor juízo.

Por Luiz Antonio Magalhães em 22 de agosto de 2010 no Blog Entrelinhas

domingo, 22 de agosto de 2010

Um palhaço pedindo votos...

As coisas por aqui estão ficando pretas. Cinzentas já estão. Se não chover nos próximos dias não sei onde vamos parar.
Uma nuvem de fumaça encobre a região e nos impede de ver o horizonte. 
Nos impede de ver o horizonte...
Como faço sempre, por analogia, já pensou?
Já somos um povo "tapado", que não conseguimos enxergar um palmo diante do nariz, incapazes de fazer uma síntese, análise, um resumo, somos incapazes de demonstrar gratidão. 
Me entristece demais, ver e ouvir cartazes e musiquinhas políticas de uns palhaços que nunca fizeram nada pela nossa região. 
O que pensam que somos? Palhacos? Incapazes? Abestados? 
É triste, mas é potencialmente possível. Grande parte deles conseguirá se eleger.
Ontem pela manhã, no Mercado das verdureiras, o conhecido Minhocão, tinha um desses. Deve ser de Rio Branco, ouvi dizer que é advogado. 
Aquele, pelo menos estava lá, e os outros palhaços, que pagam outros palhaços para pedir votos? Vi um desses. Olhei para ele, o carro todo enfeitado com a cara imunda do candidato, e tive pena. Ele percebeu (acho que pela minha expressão, que nem procurei disfarçar), ele sabe a história de perseguição do candidato ao povo daqui, mas é um coitado, analfabeto político(e de letras) que aluga a alma, hipoteca o presente e se decepciona, sempre. O candidato dele(será mesmo o candidato dele?) é um hipócrita mas ele também é um safado.
Taí a analogia. Com essa fumaceira toda, com essa pobreza de consciência política, encobrindo pessoas limitadas e analfabetas, os palhaços candidatos de fora, conseguirão lograr êxito. 
Só espero que a chuva não demore muito. Quem sabe, com a chuva poderemos enxergar e agradecer pelo que temos, quase sempre sem merecer.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Poesia não cura dor de dente, mas...


Todas as Cartas de Amor são Ridículas

       Todas as cartas de amor são

       Ridículas.

       Não seriam cartas de amor se não fossem

       Ridículas.

       Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

       Como as outras,

       Ridículas.

       As cartas de amor, se há amor,

       Têm de ser

       Ridículas.

       Mas, afinal,

       Só as criaturas que nunca escreveram

       Cartas de amor

       É que são

       Ridículas.

       Quem me dera no tempo em que escrevia

       Sem dar por isso

       Cartas de amor

       Ridículas.

       A verdade é que hoje

       As minhas memórias

       Dessas cartas de amor

       É que são

       Ridículas.

      (Todas as palavras esdrúxulas,

       Como os sentimentos esdrúxulos,

       São naturalmente

       Ridículas.)

                                               (Fernando Pessoa)


PORQUE NÃO SOU MARCELO TASS
Texto de Marcelo Longo*

Na falta de munição, a estoica resistência antilulista reduzida a 4% da população brasileira, tem lançado mão de velhas armas que já deram o tiro pela culatra da reeleição do Lula. Petistas e lulistas em geral, doidos para eleger a sucessora indicada pelo líder, agradecem.

Da minha parte, continuo acreditando que faz muita falta ao país uma oposição inteligente e consequente. Já escrevi sobre isso e quando se criou o PSOL até exortei petistas a considerar os benefícios de uma nova linha de esquerda que oferecesse ao eleitorado e à população em geral novos parâmetros, desenvolvesse novos paradigmas para futuras evoluções da tão retrógrada percepção política nacional, há 500 anos monitorada pela mesma elite ainda quase medieval. Eu disse quase?

Pra minha decepção, só o que mudou é que ao contrário de quando o Amazonas se desentendeu com o Prestes e criou-se o PCdoB, a Heloísa Helena foi sentar no colo do que há de mais reacionário na direita brasileira!

Não que eu fique com ciúme, pois esse negócio de mulher que diariamente usa blusa de rendinha branca, abotoada até o pescoço, sempre me cheirou a encrenca. Mas logo o Arthur Virgílio?! Mais à “esquerda” que isso, só a Eva Braun!

Por essa razão fiquei todo animado ao receber um desses reaproveitamentos bélicos dos demotucanos, assinado pelo Marcelo Tass. Nunca havia lido o Tass; mas, apesar de seu programa na Bandeirante me parecer uma versão dos Mamonas Assassinas com pretensões de jornalismo político, aprendi a admirá-lo quando minha filha Lucinha não perdia o Rá-Ti-Bum por nada. E adorava um professor não lembro das quantas, personagem interpretado pelo Tass.

Na versão desse ano, até que o programa do Tass na Bandeirante voltou um pouco melhor. Não digo isso porque nos que assisti puxaram o saco do Lula, o que seria de esperar: quem não vai querer aproveitar o vácuo dos 96% de popularidade do Presidente para avançar na corrida pela audiência? Até o Serra, se tiver chance.

Nas edições do CQC que assisti no ano passado, procurei manter a impressão de que futuramente Tass viria a ser aquilo o que Jô Soares deve ter sonhado na vida, mas não lhe alcançou o conteúdo.

Lamentavelmente, nesse texto percebo que o Marcelo Tass sofre do mesmo problema do Jô. Confesso que gostei muito do Jô em seu início. Chamava-se Jô Show e ainda era em branco e preto. Isso deve ter sido lá pelos anos 60... Mas nas décadas seguintes o Jô Soares foi definhando, definhando, até virar esse gordo vazio e cheio de ventos da fatuidade que todos conhecem, mas ninguém mais tem saco pra assistir.

Além de oposição política consequente, outra coisa que faz muita falta nesse país é vida inteligente na mídia. Principalmente no humor. Melhorzinho e que nas raríssimas vezes em que me cai na mão, procuro na Folha de São Paulo, é o Macaco Simão. Despretensioso e bastante repetitivo, mas consegue me fazer rir.

De resto: tédio total! Pra se divertir um pouco só restam os William Waack, as Lúcia Hipólito e Mirian Leitão mesmo. Isso sem contar, é lógico, com a Eliane Catanhede que depois da massa cheirosa do PSDB fez por merecer o primeiro lugar do quadro Top Five do Tass. Mas tem de ser o Top Five do Ano, ainda que mal tenha começado este promissor ano eleitoral.

Pois foi por essas e outras que quando recebi o texto assinado pelo Marcelo Tass, com o título: “Porque não sou PT”, fui ler ansioso de encontrar alguma crítica apropriada com humor inteligente.

Quê decepção!

Por esse texto, fica difícil imaginar para o quê servirá o Tass.Já começa plagiando o que eu sempre acreditei como incomparável idiotia de outro. Pois nesse texto, o Tass chegou junto. Nem isso! Chegar não chegou, pois não fez esforço nenhum. Simplesmente copiou!

Será que, com o caso Arruda, já deu pro Tass ter alguma prévia do que se trata? Ou já terá esquecido o Arruda como no texto demonstra ter se esquecido das privatizações? Da promessa de venda da Petrobrás com a reserva do Pré Sal de brinde?

Esqueceu também, ou não conseguiu perceber, dos interesses de quais “trabalhadores” estiveram envolvidos no caso Alstom e os governadores de seu próprio estado? Tantos enroscados ali, ao seu lado, por qual razão divaga nos enroscos do presidente da França? O que é que esse rapaz andava usando na época em que escreveu esse texto?

Quem haveria de se querer como alguém que se autoassume tão totalmente néscio que nem tenta entender como uma nação inteira, numa primeira eleição após quase 3 décadas impedida de exercer a democracia, leve para segundo turno o candidato de um partido que, na debilidade do Tass, é entendido como de gente que não faz nada na vida.

É verdade que o extinto e meteórico PRN do Collor de Melo nunca havia feito coisa alguma ou sequer existido, mas todo mundo sabia que o verdadeiro partido do Collor era o que só mais tarde Paulo Henrique Amorin reconheceu como PiG, o Partido da Imprensa Golpista. Roberto Marinho declarou isso: “Nós o colocamos na presidência”. Impossível que Marcelo nunca tenha sabido disso!

Se Lula, então, perdeu apenas para a associação de esforços das 4 famílias detentoras do estrito monopólio de comunicação e informação do país, vencendo os mais tradicionais movimentos políticos da história do Brasil, como o getulismo ali representado por ninguém menos que Leonel Brizola, o maior ícone depois da morte do próprio Getúlio; certamente não foi porque, como sugere Tass nesse infelicíssimo texto, um dia Lula tenha aparecido na porta da fábrica para combinar com seus “cumpanhero”:

“- Oi aqui, ô Florestan, você é o mais conceituado do país na sociologia; e você, Freire, já tá consagrado pelo mundo como dos maiores pedagogos da história; e você, ô Sérgio, além de ser o mais importante historiador do Brasil já tem um irmão famoso como dicionarista e um filho famoso como sambista... Então vamô juntá aqui cum os cumpanhero das oficinas e vamo fundá um partido político. É porque o Frei Beto, o Dom Paulo e o Boff disseram que vão dar uma força, já tá tudo acertado lá em Recife com o Dom Helder e vai ser uma boa porque daí a gente não precisa fazer mais nada na vida. Já chamei o Suplicy, o Mercadante, o Dirceu, o Genoíno, o pessoal todo. Ah! O Vicentinho também tá nessa. Ele e o Bittar. Tem mais uma turma aí: tem o Tarso lá de Porto Alegre, o Olívio. Tem o Palmeira lá do Rio, um tal de Chico Mendes do Acre. O Singer, o Apolônio, a Conceição Tavares, essa raça toda. E essa gente tá doidinha pra fazer um partido político pra não ter mais de trabalhar, nem o que fazer na vida.”

Claro que não dá para fazer aqui a relação inteira dos fundadores do PT, mas é difícil compreender como pode um pretenso jornalista ignorar o significado histórico desses a que chama de vagabundos!

Que o Cony, o Alexandre Garcia, o Boris Casoy e outros dessa geração se passem por estúpidos para defender os interesses de seus patrões, justificando melhores salários, vá lá! Estão mesmo perto da aposentadoria e o negócio é faturar o que puderem no fim de carreira. Mas alguém com tanto futuro pela frente como o Tass, se prestar a fazer papel de total beócio, incapaz para o exercício de qualquer atividade que exija desenvolvimento de raciocínio elementar, é muito triste!

O pior de tudo é que o tonto não só escreveu, como (pasmem!) fez editar. Como alguém que se queira jornalista pode publicar um texto de própria lavra onde demonstre não ter a menor noção do que tenha realizado um dos mais notáveis dirigentes sindicais de sua época, em todo o mundo? Eram apenas dois: o Lula e o Lech Wallesa.

Wallesa promoveu a greve do estaleiro de Gdansk, fez a central de trabalhadores Solidarsnosk, mobilizou os poloneses e com o apoio de seu patrício papa, o Karol Wojtyla (João Paulo II), tornou-se o primeiro Presidente da Polônia depois da ditadura comunista. Foi uma presidência fracassada e Wallesa hoje está esquecido.

Lula promoveu a maior greve da história do país; criou a CUT, talvez a maior central sindical do mundo; promoveu o maior movimento de massas da história do Brasil: o das Diretas Já; fundou o segundo partido trabalhista da história política do país (o primeiro foi o PTB de Getúlio Vargas); e como não teve o apoio de ninguém, muito pelo contrário, foi o terceiro presidente eleito democraticamente depois da ditadura nazista.

Hoje, além de indicado como Estadista Global pelo Conselho de Davos, possui tantos títulos de honra e mérito, concedidos por academias e instituições públicas e privadas internacionais, que seria fastidioso relacionar a metade. É verdade que essa bobagem que torna a circular, Tass escreveu lá por 2006, quando Lula ainda só recebera algumas dessas honrarias; mas se fosse minimamente inteligente, já que fez questão de se declarar tão anti PT, não devia deixar tamanha brecha para que aqui, eu, que nem sou petista, fale sobre Lula ser o Presidente mais reconhecido e homenageado internacionalmente que tivemos em toda nossa história.

É como dizia o Serra: tem de ter capacidade para fazer. Então, se vou malhar o Serra, não deixo brecha pra tucano botar azeitona na minha empada. E se deixar, é porque quero comer a azeitona na volta. Aí eu pergunto: quanto pagam por estes textos mais cheios de buraco do que queijo bola? No Brasil se pratica o maior desperdício de verba de marketing político do mundo! Vou propor à Dilma Roussef que me prepare um clipping de cada texto desses. É material suficiente para duas eleições garantidas. Nem precisa maiores informações sobre programa e propostas de governo, tá tudo fornecido nas besteiras que essa gente escreve e fala pelas rádios e emissoras de TV.

E o jovem jornalista que, por amor à Lucinha, um dia imaginei inteligente, descubro no que escreve que não passa de mais um informante desinformado! Mais um comunicador desconectado! Um formador de opinião que se revela sem opinião formada sobre as funções e utilidades dos sindicatos.

“Que será um sindicato?” – pergunta-se o Tass naquele estilo de adolescente sequelado, em que aqui se especializa – “Quem inventou? Os gregos? Os romanos? Os etruscos?”

Num lampejo ou arranco, deduz: - “Os soviéticos, é claro!” – mas, recaindo em dúvidas sobre a própria astúcia: “E se foi o Fidel Castro? Quem sabe o Chavez?”

E o mais incrível é que o cara não só escreve isso, como (pasmem!) faz publicar. Não foi em qualquer Veja, Folha ou Estado de São Paulo, não! Se apenas houvesse proferido tais besteiras pela TV, como faz o Arnaldo Jabor, tudo bem. Passava batido. Mas não! O mané fez questão de publicar no próprio blog!

Tô pra ver alguém dando caô maior em si mesmo! É coisa de fazer avestruz enfiar a cabeça na pedra! Vá ser assim despojado de inteligência lá adiante! Fosse aqui, toda mão que saísse pra rua, alguém ia perguntar: - Tás tolo, Tass?

Pobre Lucinha! Certamente não contava com tamanha estupidez no interprete de seu personagem preferido quando criança. Melhor se, ao invés do Ra-ti-bum, tivesse passado suas tardes infantis assistindo ao Chapolin Colorado.

*Raul Longo é jornalista, escritor e poeta, colabora com a Agência Assaz Atroz

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Alguns noticiaram que este ano o novenário em honra à Nossa Senhora da Glória teve um decréscimo de visitante. Abstraíram ser o motivo a concorrência com  o Festival do Açai realizado em Feijó, que encerrou-se na mesma data da procissão,  dia 15 de agosto.

Discordo dessa percepção. Primeiro porque em se tratando da procissão, eu que já participo dessa caminhada há mais de 10 anos, ininterruptamente, confesso que não vi essa diminuição do número de caminhante. Pelo contrário, a percepção foi de que o número está  cada vez maior.

Segundo, porque as festas do novenário e a do Açai não são concorrentes. Uma é religiosa e outra pagã. Em uma a diversão é espiritual. Na outra é a diversão carnal que fala mais alto." Uma pela fé, a outra por mulher", como  diz o serelepe Crazebeque.

O fato de a Igreja, de forma acertada - e tardia, ter repelido a venda de bebidas alcoólicas no espaço destinado aos comerciantes arrefeceu o ânimo de alguns.Porém, quem gosta de organização, segurança e bem estar adorou essa decisão eclesiástica. E posso garantir que  a maioria dos cruzeirenses, católicos ou não,  está satisfeita.  Não toma o Bispo essa posição e logo a festa religiosa em homenagem a Santa Padroeira estaria se confundido com a festa do vinho ao deus Baco.

A tendência daqui por diante será de as famílias ocuparem esses espaços, outrora dos barulhentos pinguços que sequer sabiam onde ficava a Catedral. Essa multidão preste a cometer todo o tipo de transgressão social  não faz falta ao novenário.Façam bom uso do vil metal, para envenenarem seus corpos e vidas em outro local. Opções não faltam. Existem bares aos montes nesta Terra dos Náuas para quem tem a "ebriobol" como esporte, suar o uniforme levantando os copos.

Incrivelmente não sou católico, mas adoro a procissão. Porque? Por que é sem dúvida a festa mais cruzeirense de todas. Não existem propagandas e nem marketing oficial. Quem convida é a tradição e esta é o norte. O povo é que ordeiramente a organiza, no mais completo improviso. Ninguém, homem nenhum nesta terra se beneficia materialmente da procissão. Este é sem dúvida o dia que mais sinto orgulho do povo cruzeirense. É vã filosofia e inútil esforço querer sobressai-se nesta multidão sem guia terreno.

Calcinha Preta é uma atração, sem dúvidas, mas não conseguirá jamais suplantar o andar pausado e imponente desse povo descendo a ladeira do Morro da Glória, como um rio de fogo, visão provocada pela velas acesas e levantadas, orgulhosamente, há mais de 50 anos.Este para conosco é o show. É emocionante. E nem é preciso ser católico para sentir isso.Basta ter Deus no coração,s er tolerante com a fé alheia e acima de tudo  gostar de verdade de Cruzeiro do Sul. " [...] Glória,Glória Maria, Mãe padroeira de Cruzeiro do Sul [...]".
Postado no Blog Jurubeba Juruaense do amigo Jairo Nolasco.