Este é um blog de opinião. As postagens escritas ou selecionadas refletem exclusivamente a minha opinião, não sofrendo influência ou pressão de pessoas ou empresas onde trabalho ou venha a trabalhar.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Senador Matusalém e sua agonia no Senado.

Tenho acompanhado com grande expectativa a decomposição política do Senador Zé Sarney.

Pensei num discurso para esconjurá-lo para as profundezas, mas como não tenho vocação para a oratória, lembrei de um dos maiores, senão o maior orador da história, Marco Túlio Cícero e suas famosas Catilinárias.

As Catilinárias são um conjunto de quatro discursos em que Cícero acusa o Senador Lúcio Sérgio Catilina (daí, Catilinárias) de traição contra a República.

É incrível como permanece atual, mesmo a 2072 anos depois (data de 63 a.C). Tão atual que substituindo Catilina por Sarney temos a impressão que Cícero era chegado a uma profecia.

De quando Sarney se recusa a deixar Roma

Até quando, Sarney, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freio?

Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto te conseguiu perturbar?

Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?

Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste e que deliberações foram as tuas?

Oh tempos, oh costumes! (talvez a frase mais conhecida e repetida de Cícero). O Senado tem conhecimento destes fatos, o Cônsul os tem diante dos olhos, todavia, este homem continua vivo. Mais ainda: até no Senado ele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos com o olhar, um a um, para a chacina.

E nós, homens valorosos, cumpriremos o nosso dever para com o Estado, se evitarmos os dardos da sua loucura.

À morte, Sarney (é forte, mas foi assim mesmo), é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do Cônsul. Contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós.

Públio Cipião, pontífice máximo, mandou matar Tibério Graco, que levemente perturbou a constituição do Estado. E Sarney, que anseia por devastar a ferro e fogo a face da terra, haveremos nós, os cônsules, de suportá-lo toda a vida?

E já não falo naqueles casos de outras eras, como o fato de Gaio Servílio Aala ter abatido, com suas próprias mãos, Espúrio Mélio, que alimentava idéias revolucionárias.

Havia outrora nesta República uma disciplina moral (meu Deus, que frase atual!): os homens de coragem puniam com mais severos castigos um cidadão perigoso do que o mais implacável dos inimigos.

Temos um decreto do Senado contra ti, Sarney. Um decreto rigoroso e grave. Não é a decisão clara nem a autoridade da ordem aqui presente que falta à República: nós, digo publicamente, nós, os cônsules, é que faltamos.

Decidiu, um dia, o Senado, que o Cônsul Lúcio Opímio velasse para que a República não sofresse dano algum. Pois nem uma noite passou: Gaio Graco, apesar da sua tão nobre ascendência, de pai, de avô e de seus maiores, foi morto por causa de certas suspeitas de revolta.
(...)
Nós, porém, já há vinte dias (há 50 anos) consentimos no enfraquecimento do vigor de decisão destes homens. Temos um destes decretos do Senado, mas está fechado nos arquivos, como espada metida em bainha.

Segundo esse decreto senatorial, tu, Sarney, deverias ter sido imediatamente condenado à morte. E eis que continuas vivo, e vivo não para abdicares da tua audácia, mas para nela te manteres com inteira firmeza.

É meu desejo, venerandos senadores, ser clemente. É meu desejo, no meio de tamanhos perigos da República, não parecer indolente, mas, já eu próprio, de inação e moleza me acuso.
(...)
Se neste momento eu te mandar prender, Sarney (Senador não pode ser preso, Cícero), se eu decretar a tua morte, o que, sobretudo terei de temer, tenho certeza, é que todos os bons cidadãos me censurem por ter atuado tarde, e não que haja alguém a dizer que usei de crueldade excessiva.

Porém, aquilo que já há muito deveria ter sido feito, fortes razões me levam a não o fazer ainda: hás de ser morto, sim, mas só no momento em que já não for possível encontrar ninguém tão perverso, tão depravado, tão igual a ti, que não reconheça a inteira justiça desse ato.

Enquanto houver alguém que ouse te defender, continuarás a viver, e a viver como agora vives, cercado pelas minhas muitas e fiéis guardas, para não poderes te sublevar contra o Estado.

Os olhos e os ouvidos de muita gente, sem disso te aperceberes, te hão de espiar e trazer vigiado como até hoje o têm feito.”
(Marco Túlio Cícero – Catilinárias)

domingo, 28 de junho de 2009

Adeus Michael Jackson?

Aconteceu o que eu temia. Michael Jackson o grande astro da música pop mundial morreu jovem.
Morrendo aos 50 anos, Michael deixará no mundo (da música ocidental) um vazio e uma sensação de que foi antes da hora. Acho que foi mesmo, acho que deveria ter envelhecido.

Frank Sinatra foi muito mais cantor que ele, mas envelheceu, foi muito mais comedido e menos polêmico, mas envelheceu.

Sorte a dele que morreu jovem. Sorte igual teve John Lenon que era menos cantor que o Paul Mccartney, mas deu a sorte de ser assassinado por um fã na porta do apartamento onde morava e é cultuado por muitos como um deus.

Assim tem sido com muitos heróis da modernidade. Assim foi desde a antiguidade com os heróis da história. Alexandre, Napoleão, Zumbi, Tiradentes, Euclides da Cunha, Plácido de Castro, Martin Luther King, Chico Mendes, Airton Senna.

Os bons morrem cedo, já dizia Renato Russo (que morreu cedo também).

É a condição do ser herói, não há outra possibilidade. A velhice desgasta o herói. É por isso que desejo vida longa ao Shumacher, a Madonna, ao Marcelo D2, ao Fernandinho Beira-Mar e a alguns políticos que conheço.

Morrendo jovem, Michael Jackson se perpetua. Seus fãs o idolatram de tal forma que seus erros e seu legado de palhaçadas e esquisitices devem ser apagados como forma de não macular uma imagem que não era exatamente a imagem do bem.

Tivesse envelhecido, poderia ser desmascarado. Morrendo, se liberta da condição humana e nada mais o atinge.

Não gosto da música que ele cantava, nunca comprei discos dele e nunca os compraria, mas reconheço sua importância para muitos da minha idade. Sua maneira de ser, de desafiar regras e de remar contra a maré, foi inspiração para muitos.

Michael Jackson foi um produto da mídia. Não era real porque não poderia ser real. Jacson era um produto com prazo de validade vencendo. Seu mito não se sustentaria por mais uma década.

Michael Jackson foi uma fraude. Imitá-lo é demência em alto grau, porque Michael Jackson nunca existiu. Todo ele era uma mentira. Era e é (agora principalmente) uma marca do capitalismo feito a Coca-Cola ou a Nike.

Morrendo, garantiu seu lugar na história. Sobrevivendo (parece que assim vivia), seria desfeito como um castelo de nuvens, mas para isso, precisaria de tempo. Tempo que talvez, intencionalmente, tenha subtraído.
Portanto, não sou daqueles que dizem: “já vai tarde”.
Sou daqueles que dizem: “Michael, você partiu cedo, nem nos deu a oportunidade de vê-lo ser desmascarado”.

sábado, 27 de junho de 2009

Poesia para o Sábado...

Veja a opinião do poeta Mário Quintana sobre o tempo. Caberia aqui uma contextualização?

AH! OS RELÓGIOS

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

Mario Quintana - A Cor do Invisível

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Parabéns Porto Walter!

Hoje Porto Walter está comemorando mais um aniversário (pelas minhas contas e pesquisas são 99 anos, para a maioria, são apenas 17).
Novamente sem poder estar lá. É assim mesmo: Quem aluga o tempo não pode fazer o que se quer...
Dois sentimentos: O primeiro é de alegria e o segundo é de apreensão em relação á saúde do prefeito Neuzari. O Neuzari, conforme escrevi em outra ocasião é um lutador e vencerá mais esta.
À noite, para colocar um pouco de riso na vida das pessoas, haverá show com o Velho Zuza, personagem de Jorge Luiz, um portuwaltense de incontestável talento (que já esteve participando do Show de Piadas da Rede Record). Boas risadas.
Sorte a dele que escolheu ser artista. Se os organizadores tivessem agendado uma palestra sobre a história do município...
Fica para o próximo ano (é sempre assim). Porto Walter é a minha saudade. É o meu amor platônico. É algo que nunca terei. Amor é assim mesmo, quem entende?.
Como justa homenagem ao lugar meu lugar/memória, vou postar algumas fotos.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Só no Acre mesmo...

Pensei que já tinha visto e ouvido tudo, mas essa foi demais. Foi publicado no site noticiasdahora.com, de Rio Branco.

Bombeiros são acionados às 3h por causa de mucura no quintal (por Ezi Melo)

24 de junho de 2009
Na madrugada desta quarta-feira (24), por volta das 3h, um morador do conjunto Xavier Maia ligou várias vezes para o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) pedindo auxílio do Corpo de Bombeiros porque havia um animal estranho em seu quintal.
Mesmo tendo que substituir uma viatura por conta de problemas mecânicos, os bombeiros foram atender o chamado. No local, encontraram uma mucura (espécie de gambá brasileiro, marsupial).

terça-feira, 23 de junho de 2009

Hoje: 23/06

1530 - Imperador Carlos V convoca seguidores de Lutero para reunião em Augsburgo
1848 - Diversas pessoas tem visões de Nossa Senhora em Lourdes (França)
1902 - Itália, Alemanha e Áustria-Hungria renovam a tríplice aliança por mais 12 anos
1936 - Nascimento de Richard Bach (escritor americano)
1940 - Nascimento de Sérgio Reis (cantor brasileiro)
1956 - Gamal Abdel Nasser é eleito presidente do Egito
1977 - Karol Wojtyla recebe o título Honoris Causa na Universidade Guttemberg
1998 - Morte do cantor Leandro (dupla sertaneja Leandro e Leonardo)
Fonte: www.ponteiro.com.br

Quem é Richard Bach:

Richard Bach nasceu em Oak Park, Illinois/USA em 23 de junho de 1936. É o autor do livro “Fernão Capelo Gaivota”, publicado em 1970 (que li matando aula de química em 1989 na Escola Professor Flodoardo Cabral).

Pode-se dizer que a literatura surgiu-lhe como um passatempo e uma forma de retratar a profissão (foi piloto da Força Aérea).

Bastante popular entre os leitores do mundo todo, quase todos os seus trabalhos tem o vôo como tema principal (bem apropriado para um piloto).

Seu trabalho continua popular entre os leitores e embora tenha outros livros publicados, Fernão Capelo Gaivota é a sua obra-prima.

Nele, uma gaivota, tem um estranho fascínio (verdadeira obsessão) em inventar acrobacias. Com isso escandaliza seu grupo de gaivotas. Fernão (o nome da gaivota), decide que voar não deve ser apenas um ato de voar, mas uma oportunidade de transformar.
O romance é uma história sobre liberdade, aprendizagem e amor.

Trecho de "Fernão Capelo Gaivota"

"... Fazes alguma ideia de quantas vidas teremos de viver antes de compreendermos que há coisas mais importantes do que comer, lutar, ou disputar o poder no Bando?
Mil vidas, Fernão, dez mil vidas!
E, depois, mais cem vidas até começarmos a aprender que a perfeição existe, e outras cem para constatar que o nosso objectivo na vida é conseguir a perfeição e pô-la em prática.
As mesmas regras se aplicam, agora a nós: escolhemos o nosso mundo através do que aprendemos neste.
Se não aprendermos nada, então o próximo mundo será igual a este.

Com as mesmas limitações e obstáculos a vencer..."

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Aconteceu Hoje

1276 - Morte do Papa Inocêncio V
1527 - Morte do filósofo e escritor Nicolau Maquiavel
1633 - Julgamento de Galileo Galilei
1934 - Ferdinand Porsche assina contrato para o desenvolvimento do Fusca
1938 - Karol Wojtyla (Papa João Paulo II) ingressa na Faculdade de Literatura e Filosofia na Cracóvia
1956 - Ernesto Che Guevara é preso no México
Fonte: www.ponteiro.com.br

Piadinha para uma segunda-feira comum.

Tudo na vida é relativo...
Pra testar o caráter de um novo empregado, o dono da empresa mandou colocar 500 reais a mais no salário dele.Passam os dias, e o funcionário não relata nada.
Chegando no outro mês, o dono faz o inverso: manda tirar 500 reais.
No mesmo dia, o funcionário entra na sala pra falar com ele:
- Doutor, acho que houve um engano e me tiraram 500 reais do salário.
- É mesmo? Curioso que no mês passado eu coloquei 500 a mais e você não falou nada.
- É que um erro eu tolero, doutor, mas DOIS, eu acho um absurdo!