1932 - Nasce Umberto Eco, escritor italiano, autor de "O Nome da Rosa".
1940 - Primeira transmissão de uma rádio FM, nos EUA.
Este é um blog de opinião. As postagens escritas ou selecionadas refletem exclusivamente a minha opinião, não sofrendo influência ou pressão de pessoas ou empresas onde trabalho ou venha a trabalhar.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Para além das "três bueiras"...
Ontem, como faço aos domingos, fui a Guajará visitar a outra metade da minha família.
Tomei a iniciativa e fui ver um amigo que não via há quatro meses.
Continua a mesma pessoa, honesta, respeitável, recíproca, o mesmo amigo.
Mas agora é um vencedor na política e por isso é uma pessoa que tem razão, sempre. Concluí que se eu fosse político, não poderíamos continuar amigos. É assim, mas tudo bem.
Por ali, a política afasta as pessoas, principalmente a política como forma e conteúdo que alguns entendem.
Voltei pra casa com uma certeza: Por ali, para além das “três bueiras”, se levará ainda algum tempo para que a democracia se estabeleça e uma ditadura não substitua a outra, sempre.
Tomara que eu esteja enganado.
Tomei a iniciativa e fui ver um amigo que não via há quatro meses.
Continua a mesma pessoa, honesta, respeitável, recíproca, o mesmo amigo.
Mas agora é um vencedor na política e por isso é uma pessoa que tem razão, sempre. Concluí que se eu fosse político, não poderíamos continuar amigos. É assim, mas tudo bem.
Por ali, a política afasta as pessoas, principalmente a política como forma e conteúdo que alguns entendem.
Voltei pra casa com uma certeza: Por ali, para além das “três bueiras”, se levará ainda algum tempo para que a democracia se estabeleça e uma ditadura não substitua a outra, sempre.
Tomara que eu esteja enganado.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Apenas um Poema...
Por hoje, apenas um poema.
Fim
Eu não chorei
Saberia?
E tu também
Sorriria?
Adeus.
Aonde iremos não existe luz.
Que sol aquecerá nossos corpos?
É noite, portanto,
Calemos.
Enquanto há luz,
Há tempo, há dialética
E um adeus que se dissolve.
(Quatro Colinas, pg 21).
Fim
Eu não chorei
Saberia?
E tu também
Sorriria?
Adeus.
Aonde iremos não existe luz.
Que sol aquecerá nossos corpos?
É noite, portanto,
Calemos.
Enquanto há luz,
Há tempo, há dialética
E um adeus que se dissolve.
(Quatro Colinas, pg 21).
sábado, 3 de janeiro de 2009
Hoje na História:
1521 - Sob o papado de Leão X, a Igreja excomunga Martinho Lutero.
1558 - Toma posse como 3º governador geral do Brasil, Mem de Sá.
1898 - Nasce Luiz Carlos Prestes, líder maior da esquerda no Brasil.
1558 - Toma posse como 3º governador geral do Brasil, Mem de Sá.
1898 - Nasce Luiz Carlos Prestes, líder maior da esquerda no Brasil.
GOLIAS CONTRA DAVI
Pergunte a uma criança de 10 anos: Meu filho, você conhece a história de Davi contra Golias? Quase todos conhecem, principalmente aqueles que fizeram primeira comunhão ou participam de escola bíblica.
Davi foi amplamente biografado, os escritores ressaltam sua beleza e suas qualidades musicais além de um grande administrador que foi e fundador de uma dinastia que durou mais de 400 anos. Mas fiquei sabendo, que tinha centenas de mulheres e que uma delas tinha sido mulher de um empregado seu, e outras coisas que não é muito correto falar de alguém que já morreu.
Quanto a Golias, pouco além de que era um gigante filisteu e morreu com uma pedrada atirada por uma arma ancestral da baladeira.
Pesquisei sobre Golias e como sei que poucos o conhecem muito bem, cito alguns dados: (me prometa que não vai incomodar o pastor nem o padre da sua igreja com perguntas).
Golias era um gigante da cidade de Gate e campeao do exército filisteu, possivelmente um soldado mercenário. Seria da tribo dos refains, um povo de gigantes. Tinha 2.90 de altura e pesava uns cento e cinqüenta quilos. A lâmina de ferro da sua lança pesava quase 7 kg e sua armadura de cobre pesava 57. Como se vê, Golias era uma máquina de guerra, mas com uma fraqueza: A arrogância.
Imagino hoje o duelo entre os dois. Golias e seu aparato bélico, seu gigantismo e sua arrogância contrastando com a fragilidade do pequeno pastor, humilhado, desarmado a não ser pelas pedras que coletava no solo pedregoso. As pedras que abateram o gigante.
A maior parte dos historiadores trata Golias como um mito, fundamentado apenas na Bíblia, o que para alguns historiadores não é fonte confiável.
Prefiro neutralidade sobre o tema. Prefiro tratar o assunto como uma oportunidade de contextualização.
Ainda que eu não tivesse nada a ver com as guerras ocorridas no outro lado do mundo, não poderia ficar neutro diante das notícias das barbaridades cometidas nos últimos dias pelo exército israelense contra os desesperados e dasamparados palestinos .
Jesus era judeu, isso eu bem sei, mas será que ele se orgulharia da matança patrocinada pelos seus irmãos? O conflito entre Israelenses e Palestinos é o mesmo de milênios antes de Cristo. É uma vergonha encontrar pessoas ditas "crentes", que endossam o massacre dos palestinos baseados no Velho Testamento bíblico. Que acreditam que os israelenses são o “Povo de Deus” e o resto do mundo é gentio, pagão e merece morrer. Fico com José Saramago quando define quem é quem nos dias de hoje:
As pedras de Davi mudaram de mãos, agora são os palestinos que as jogam. Golias está do outro lado, armado e equipado como nunca esteve soldado algum na história das guerras, a não ser, claro está, o amigo norte-americano. Ah, sim, as horrendas matanças de civis causadas pelos chamados terroristas suicidas... Horrendas, sim, sem dúvida; condenáveis, sim, sem dúvida, mas a Israel fica muito que aprender se não é capaz de entender as razões que podem levar um ser humano a transformar-se em bomba.
(José Saramago é escritor português, prêmio Nobel de Literatura de 1998.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Feliz 2009!
Já estamos em 2009.
Que o novo ano nos traga saúde, paz, tolerância religiosa, esperança, credibilidade, bom humor, descobertas científicas, descobertas humanas, consciência ecológica, responsabilidade social, coragem de cobrar promessas, compromisso às promessas feitas, enfim, FELICIDADE.
Que deixemos no banzeiro as amarguras, a violência, os medos e os traumas.
Que ao final do ano possamos dizer: Vicente de Carvalho, seu “Velho Tema” falhou comigo, felicidade existe sim. Eu a conquistei!!!
Versos a serem desmentidos em 2009:
"Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa, que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,
Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos. "
Vicente de Carvalho – Velho Tema
De minha parte, à parte todos os meus velhos e perseguidos sonhos, espero contar com a visita ao blog dos bons e velhos amigos, e de novos e bem-vindos visitantes.
Feliz 2009!
ACONTECEU HOJE
1825 - Começa a Guerra da Cisplatina, entre Brasil e Argentina.
1920 - Nasce o escritor e bioquímico norte-americano, Isaac Asimov.
1959 - É lançada pela União Soviética, a primeira espaçonave com destino a lua.
1920 - Nasce o escritor e bioquímico norte-americano, Isaac Asimov.
1959 - É lançada pela União Soviética, a primeira espaçonave com destino a lua.
ONTEM
Dia 01 de janeiro de 753a.C,: Segundo a lenda, fundação da cidade de Roma, por Rômulo e Remo.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
“As pessoas não morrem, ficam encantadas”
Atendendo a solicitações de alguns amigos, principalmente de primos e tios, reproduzo aqui neste primeiro de janeiro de 2009, um texto publicado no Jornal Voz do Norte sobre Maria de Lourdes Almeida, minha avó materna que sepultamos no primeiro dia de 2008. Um ano depois tentei refazê-lo e acabei desistindo. Melhor, pois representará sempre um pouco do que sentimos naquele dia. Acrescento apenas a frase do grande escritor: “As pessoas não morrem...”
“Só Jesus Cristo Salva”
No dia 12 de novembro último (2007), Dona Lourdes Almeida, minha avó materna telefonou ou mandou telefonar para todos os netos. Queria ver a todos, netos, bisnetos, esposas de netos, o “meu povo” como falava, antes de viajar a Rio Branco para tratar-se de uma dor na perna direita que há dias não a deixava dormir.
A gente conhece as pessoas, vai avançando no tempo e aos poucos vai aprendendo a conhecer as pessoas, a perceber os seus sinais. A vó nunca me chamara, nunca reclamara de saudades, não era de se queixar, mesmo porque eu a estivera visitando no dia anterior. Era um sinal. Entendi o recado e rapidamente levei meus filhos até lá. Recebeu-nos com a alegria de sempre, educada, elogiando a roupa, o cabelo, a dieta, pedindo licença para cumprimentar uma nova visita. Suas palavras, ditas no ouvido de cada um no momento do abraço eram de despedida. Embora eu tenha dito “Vó, a senhora vai voltar”, não tinha muita certeza sobre o sentido de cada palavra, lembro apenas que ela concordou e me abraçou e foi o abraço mais forte e demorado que recebi.
Seu caso era gravíssimo, ela não sabia ainda, mas, pela proximidade com o médico que a atendera nos últimos meses, deduzimos tratar-se de uma despedida, e naquele caso específico não haveria lugar para milagres. Pedir um milagre seria desespero.
No dia 13 estava em Rio Branco e em poucos dias, 11 dos 12 filhos vivos, além do meu avô, estavam com ela. Revivendo emoções adormecidas por mais de 40 anos, quando a família havia se reunido pela última vez.
Superou novembro. Entrou dezembro, e dia sobre dia, se fez fim que também é o fim do ano. Tivemos um Natal melancólico. Na tarde do dia 24, ouvi de minha mãe por telefone, “Esperamos a vontade de Deus”.
Não sou homem muito religioso. Cada momento na igreja, avalio palavra por palavra as intenções do pregador. Em minhas orações, que já foram mais freqüentes e bem mais longas, sempre pedi muita coisa e sempre fui ouvido. Sempre, também pedi fé, mas acima de tudo, coragem, saúde e lucidez para decidir não largar minha família para seguir quem quer seja. Todas as noites peço fé, queria ter fé, não apenas porque considere importante ter fé, não apenas por conveniência, mas, simplesmente para poder falar diretamente com Deus e pedir um milagre. Não pedi e deveria ter pedido. Eu acredito em milagres.
Na rápida agonia da doença, os que estiveram mais próximos dela nos momentos finais lembram sorrindo seu exemplo diário de coragem, de dignidade e de fé. Verdadeiras lições, algumas cifradas em sorriso, comentários, palavras soltas.
No dia 31 a noticia. Maria de Lourdes Almeida, de 84 anos de idade (nasceu em 19 de agosto de 1923, próximo ao Seringal Triunfo) se libertara das sondas, agulhas, tubos e, quem sabe ao certo?
Naquela noite, nossos abraços foram de conforto e havia sempre um abraço reconfortante. Mesmo assim, vimos a queima de fogos, jantamos, brindamos, sorrimos e alguns de nós dormimos. Estávamos longe, e não tínhamos portanto a dimensão das lágrimas.
Pala manhã, dia nublado, com previsão para chuva, a burocracia da funerária, o lugar do sepultamento, o horário, os avisos nas Rádios. Era 1° de janeiro e a cidade parada. Nenhuma Rádio funcionando. Pensei nos amigos de minha vó, nos seus amigos de Porto Walter que não ficariam sabendo até que seu corpo já tivesse sido sepultado, pensei nos seus amigos da igreja, sem uma forma de visar-lhes e senti pena.
Procurei ver o lado bom de um dia 1° de janeiro. Com a cidade parada, sem trânsito, com todos dormindo, poderíamos circular livremente, chorar livremente, sem causar transtornos.
Estivemos no saguão do aeroporto em silêncio. Parecia um lugar diferente, bem maior, deserto. Um aeroporto será sempre um lugar de reencontre, alguns, como o nosso naquele dia era igual ao de milhares de pessoas mundo afora.
Do aeroporto viemos em comboio até o templo da Assembléia de Deus no Bairro João Alves e uma frase, no púlpito me chamou a atenção: “Só Jesus Cristo Salva”, e ali, com o sol aos poucos também adentrando a igreja, iluminando cada um de nos lhes rendemos as ultimas homenagens.
Ainda que irrelevantes naquele momento, lhe rendemos momento, lhe rendemos algumas homenagens. Li sua biografia, Adson recitou um poema, Atilon cantou dois hinos que ela gostava de cantar e ouvir, mais Adonis, Alan, Tereza e Perpétua, que fez um comovente relato sobre os últimos dias, da dureza daquela viagem, daqueles conselhos direcionados ao problema de cada um, que ela tão bem conhecia. Uma frase sua já nos dias finais: “Digam a todos que religião nenhuma salva: Só Jesus Cristo Salva”, a frase no púlpito, eu a li varias vezes naquele momento. Era talvez, seu último grande ensinamento. Presentes no templo, pessoa de vários credos.
A vó tinha muito orgulho da família, principalmente das filhas, conforme ela mesma fazia questão de dizer. Perpétua era um grande orgulho, sofria muito nos pleitos eleitorais com o desespero de algum adversário mais despreparado. Pedia vida longa para todos eles. Apesar de orgulhar-se muito de alguns filhos, filhas e netos, como era o meu caso (estivera na primeira fila no lançamento de Quatro Colinas em 2006), sempre tratou cada um de nós indistintamente, elogiando quando a obra era boa, ou dando um “carão”, conforme o caso, na primeira oportunidade, tivesse o elemento 3 anos, como o Leonardo, meu filho, ou 61 como o Zé Batista, meu tio.
Não choveu no cemitério.
Sempre me orgulhei da família em que nasci. E a parti daquele 1° de janeiro de 2008, muito mais, pela forma que nos tratamos num momento difícil. Tínhamos na vó, um exemplo de superação. Fraturas constantes, deficiência de cálcio, osteoporose diagnosticada há mais de quinze anos, restrição alimentar e gastrite. Paralelo a isso, uma obediência quase religiosa às recomendações médicas. A vó não quebrava dietas.
Lembrarei sempre daquele sorriso, daquela gargalhada, daquela forma só dela, de criticar o vô, que só nós, filhos, netos, bisnetos, noras, genros e esposas e esposos de netos e netas, a FAMÍLIA ALMEIDA, vamos guardar para sempre, e enquanto existirmos.
E sempre que alguém chamar seu nome, teremos orgulho em responder por ela. Maria de Lourdes Almeida: Presente!
Antonio Franciney de Almeida Rocha - Neto
Em tempo: O texto foi recuperado por Alcineiva, minha prima, que o mandou digitar.
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