Este é um blog de opinião. As postagens escritas ou selecionadas refletem exclusivamente a minha opinião, não sofrendo influência ou pressão de pessoas ou empresas onde trabalho ou venha a trabalhar.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Brasil de Lula é inimigo do golpismo
Edvaldo Magalhães - 30 de setembro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Parabéns Cruzeiro do Sul!

HINO DE CRUZEIRO DO SUL

Hoje, por ser dia do Aniversário de 105 anos da Fundação de Cruzeiro do Sul, resolvi postar o belo poema de Fran Pacheco que é o Hino do Município.

Não deveria, mas a preguiça me induziu a copiar o hino de algum site da internet e ganhar tempo.
Fui jogado para a página "oficial" da prefeitura (que diga-se de passagem é até bem elaborada) e de cara, já percebi o absurdo.

Pasmem! a letra do hino do município de Cruzeiro do Sul está incompleta e errada. Suprimiram duas estrofes, a 3ª e a 4ª.
Na 5ª estrofe falta o adjetivo "belo".

Teria sido um lapso?
Acho que foi por grosseria mesmo.
Coincidência ou não, as duas são uma exaltação ao nome de Thaumatugo de Azevedo.
Corrigido, o Hino de Cruzeiro do Sul.


Hino do município de Cruzeiro do Sul

(Letra de Fran Pacheco e música de C. Ciarline)


No regaço da selva assombrosa

Onde outrora espumava o tapir

Uma bela cidade ruidosa

Vimos hoje fagueira surgir

(estribilho)

Para o seio da mata orvalhada

As aragens correndo lá vão

//E no cimo da selva ondulada

Thaumaturgo Azevedo dirão//

Pasma o índio bravio confundido

Empolgando uma flexa nos ares

Ao ouvir que é tão repetido

Vosso nome nos nossos palmares

(estribilho)

No cetim da esfera dourada

Pelos raios fulgentes do Sol

Vosso feito reluz como espada

Vosso nome cintila qual Sol

(estribilho)

Vosso feito será imitado

Onde o raio do progresso chegou

Vosso nome então proclamado

Pelos filhos que o Norte criou.

(estribilho)

O lampejo do sol do progresso

Douro ufano este belo alcantil

Contemplado será no universo

Novo estado no chão do Brasil

(estribilho)

E do trono dos seus esplendores

Sobre nuvens bordados de azul

Deus semeia cascata de flores

E abençoa Cruzeiro do Sul.

(estribilho)

domingo, 27 de setembro de 2009

Quanto vale uma foto?

Ontem perdi um amigo. Era fotógrafo. Estávamos num evento e como eu não conseguisse me aproximar para fazer o registro pedi que me cedesse a imagem. Negou-me.

Queria comprar a imagem, mas quanto valeria? Um milhão, dez reais, um cruzeiro?Se a imagem não tem conteúdo, se não servirá para transformar o mundo, não valerá coisa nenhuma.

A foto não era muito importante, tanto que nem registrarei aqui. O importante nisso é a consideração.

Lembrei de Alberto Korda e Sebastião Salgado, esses sim, dois grandes fotógrafos.

Korda é autor da imagem mais reproduzida em todo o mundo. Sua foto histórica é o “guerrilheiro heróico”, onde Che Guevara aparece durante um evento em Cuba e foi flagrado olhando um ponto qualquer do infinito. Nunca um clique foi tão feliz.Alberto Korda morreu em 2001 e nunca recebeu qualquer tipo de pagamento pela foto e nunca se esforçou em receber.

Quanto a Sebastião Salgado é uma sumidade em fotojornalismo engajado. Suas fotos são uma denúncia da barbárie do capitalismo.

Será que ele já ouviu falar nos dois?

Meu amigo não era fotógrafo e aquela foto não valia mesmo uma amizade, certamente.

Depois ele tentou explicar: Pensava que eu trabalhava para certo jornal de Rio Branco que segundo ele, não tem o devido respeito com o uso de imagens e direitos autorais.

As amizades também passam, assim como a frustração deverá se esvair.

sábado, 26 de setembro de 2009

Ah, esses relógios...


"Não interessa se os relógios são moles ou duros, o que importa é que eles dêem a hora certa" (Salvador Dali)


Se ele falou...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

PARA CEGOS SURDOS E INGRATOS

Notícia publicada no Jornal Tribuna do Juruá. (http://www.tribunadojurua.com)

Pacientes até de Rio Branco recorrem ao Hospital do Juruá

Além de atender pacientes de três municípios do estado do Amazonas e toda região do Vale do Juruá incluindo Tarauacá, Feijó e Jordão, pelo menos sete pacientes já foram encaminhados da capital do estado Rio Branco, para receber tratamento médico em Cruzeiro do Sul, fato completamente fora da realidade há 2 anos atrás. Atualmente 44 médicos incluindo diversos especialistas em áreas inéditas para a saúde de uma das regiões mais isoladas do Acre, estão em atividade no Hospital do Juruá. A unidade vem sendo cada vez mais procurada por pacientes de várias regiões do Acre e Amazonas. Todos os dias, dezenas de pacientes dos municípios mais próximos se dirigem ao hospital. Antes, uma simples consulta com um cardiologista já era motivo de uma viagem à Rio Branco ou até outros estados.

"Não só a cardiologia, como a parte da terapia intensiva, serviços que estão disponíveis aqui no Hospital, são importantes para o atendimento imediato. Hoje nós temos uma UTI como 8 leitos e funcionando com todo suporte e médicos especializados", comenta o cardiologista Márcio Messias que diz também que em Breve o Hospital contará com ecocardiograma, um exame extremamente importante capaz de visualizar a estrutura do coração.

O médico bucomaxilofacial Sandro Luiz, disse que quando recebeu o convite para trabalhar na unidade, não pensava que pudesse contar com toda estrutura física e apoio profissional que o hospital disponibiliza, "é tanta a qualidade do serviço que os pacientes de Rio Branco estão sendo encaminhados via TFD (Tratamento Fora de Domicílio) para casos de trauma de face, cistos e tumores no complexo maxilofacial", diz.

O diretor técnico do Hospital do Juruá, Marcos Melo, diz que a vinda dos profissionais, se deve ao modelo de gestão implantando pelo grupo que administra o hospital em parceria com Governo do Estado. "A total independência administrativa e a falta de qualquer tipo de ingerência no funcionamento do hospital, são sem duvida, fatores que fazem com que esse serviço possa avançar. Vale ressaltar que nós estamos longe de darmos esta missão como cumprida, vários outros serviços necessitam ser melhorados e outros que não temos, devem ser disponibilizados e estamos trabalhando para ofertar num tempo curto esses serviços", finaliza.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Foi lá na Bahia, mas se não me engano...

Prefeito e familiares são aprovados em concurso de Cafarnaum

Carlos Prates da Redação CORREIO

O prefeito da cidade de Cafarnaum, localizada a 439 km de Salvador, Ivanilton Oliveira (PSDB), foi aprovado para a única vaga de médico do concurso público realizado pela prefeitura do própio município. No mesmo concurso, para outras vagas, foram selecionados cinco familiares dele: a esposa, Sueli Fernandes Novais (aprovada para o cargo de assistente administrativa), os sobrinhos Carlon Novais Sena (agente administrativo) e Anderson Gomes Novais (motorista), além da irmã Joseilza Oliveira Novais (agente administrativa) e a prima de terceiro-grau Geisa Novais Tomé (aprovada para dentista).

O vice-prefeito, Eugelson Mancambira, também tem parentes aprovados. A esposa, Carmen Silvia Lumes, e o cunhado dele, Edinaldo Francisco Lumes, passaram na prova. O salário para o cargo de médico assumido pelo prefeito, era o mais alto oferecido, R$ 3,5 mil. As inscrições para a seleção que oferecia 180 vagas no total foram feitas em maio e a prova, em junho.

Ivanilton Oliveira foi reeleito em 2008 para a prefeitura de Cafarnaum e disse que fez o concurso visando uma ocupação quando terminasse o seu mandato. 'Iria ocupar o cargo depois que deixasse de ser prefeito em 2012', explicou. Ainda segundo o gestor, o salário que ganha não é suficiente para manter sua família. 'Ganho R$ 10 mil como prefeito. Tenho dois filhos em escolas particulares e um apartamento em Salvador. Só esse dinheiro não me mantém'. Além de assumir a função de prefeito de Cafarnaum, Ivanilton trabalha duas vezes por semana em um hospital privado na cidade de Iraquara, onde tem uma residência.

Sobre a quantidade de familiares aprovados no mesmo concurso, o prefeito disse que isso é quase inevitável em um município pequeno. 'Em uma cidade com cerca de 18.500 habitantes é muito provável que muita gente seja ligada a sua família. Em Carfanaum, uma grande parcela da população é meu parente', defendeu-se.

O prefeitou alegou ainda que procurou orientação da promotoria da cidade de Morro do Chapéu, responsável pela região, para saber se poderia participar do concurso e recebeu uma resposta positiva da promotora Edna Márcia Souza Barreto de Oliveira. Entretanto, a representante do Ministério Público disse que Ivanilton Oliveira lhe perguntou sobre a sua possível participação no concurso depois que já havia sido aprovado no processo seletivo.

A promotora disse ainda que a atitude do prefeito foi ilegal. 'Como é que ele estabelece as regras do jogo e depois participa do próprio jogo', questionou. De acordo com Edna Barreto, ao participar da seleção, Ivanilton Oliveira infringiu o artigo 37 da Constituição Federal e a lei 8429/92 de improbidade administativa. 'Houve violação dos princípios constitucionais como a moralidade, impessoalidade e legalidade. Vamos entrar com uma ação na justiça pedindo a anulação do concurso'. A promotora contou que tomou conhecimento do caso depois que o vereador de Carfanaum Juvenal Bispo Junior (PP) entrou com uma representação no MP.

Fonte: correio24horas.globo.com

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Caim - O novo romance de José Saramago

Caros amigos,

Saramago escreveu outro livro. O seu título é “Caim”, e Caim é um dos protagonistas principais. Outro é Deus, outro ainda é a humanidade nas suas diferentes expressões. Neste livro, tal como nos anteriores, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, por exemplo, o autor não recua diante de nada nem procura subterfúgios no momento de abordar o que, durante milénios, em todas as culturas e civilizações foi considerado intocável e não nomeável: a divindade e o conjunto de normas e preceitos que os homens estabelecem em torno a essa figura para exigir a si mesmos - ou talvez fosse melhor dizer para exigir a outros - uma fé inquebrantável e absoluta, em que tudo se justifica, desde negar-se a si mesmo até à extenuação, ou morrer oferecido em sacrifício, ou matar em nome de Deus.

Caim não é um tratado de teologia, nem um ensaio, nem um ajuste de contas: é uma ficção em que Saramago põe à prova a sua capacidade narrativa ao contar, no seu peculiar estilo, uma história de que todos conhecemos a música e alguns fragmentos da letra. Pois bem, com a cabeça alta, que é como há que enfrentar o poder, sem medos nem respeitos excessivos, José Saramago escreveu um livro que não nos vai deixar indiferentes, que provocará nos leitores desconcerto e talvez alguma angústia, porém, amigos, a grande literatura está aí para cravar-se em nós como um punhal na barriga, não para nos adormecer como se estivéssemos num opiário e o mundo fosse pura fantasia. Este livro agarra-nos, digo-o porque o li, sacode-nos, faz-nos pensar: aposto que quando o terminardes, quando fizerdes o gesto de o fechar sobre os joelhos, olhareis o infinito, ou cada qual o seu próprio interior, soltareis um uff que vos sairá da alma, e então uma boa reflexão pessoal começará, a que mais tarde se seguirão conversas, discussões, posicionamentos e, em muitos casos, cartas dizendo que essas ideias andavam a pedir forma, que já era hora de que o escritor se pusesse ao trabalho, e graças lhe damos por fazê-lo com tão admiráveis resultados.

Este último romance de José Saramago, que não é muito extenso, nem poderia sê-lo porque necessitaríamos mais fôlego que o que temos para enfrentar-nos a ele, é literatura em estado puro. Dentro de pouco tempo podereis lê-lo em português, castelhano e catalão, e então vereis que não exagero, que não me move nenhum desordenado desejo ao recomendá-lo: faço-o com a mais absoluta subjectividade, porque com subjectividade lemos e vivemos. E falo aos amigos, porque esta carta apenas a eles vai dirigida. Com muita alegria.

Felicidades a todos os leitores: um ano depois de A Viagem do Elefante temos outro Saramago. São três livros em um ano, porque também há que contar com O Caderno, o livro que vamos lendo aqui em cada dia. Não podemos pedir mais, o nosso homem cumpriu, e de que maneira. A idade, amigos, aguça a inteligência e agiliza a capacidade de trabalho. Que sorte a nossa, leitores, de ter quem nos escreva.

Pilar del Rio

Extraído de: Caderno de Saramago

terça-feira, 22 de setembro de 2009

DIA DA ÁRVORE - COMEMORAR O QUÊ?

Ontem as escolas comemoraram o Dia da Árvore. Intencionalmente mantive o silêncio para preparar a minha homenagem depois da festa.

A minha preferida é de longe a Samaúma (Ceiba pentandra). Símbolo sagrado na cultura Maia e dos povos da floresta de modo geral que a consideram a "mãe-das-árvores".

Samaúma localizada acima da Boca do Môa

Três características fazem uma samaúma inconfundível: a altura, o diâmetro (da copa e do tronco) e as sapopembas (conhecidas por aqui como sacupembas).

Por aqui, infelizmente, nossos governantes não tem tido a preocupação de plantar ou pelo menos preservar as sobreviventes do perímetro urbano.

Quem não lembra de uma samaúma que havia na praça em frente ao Bradesco? Foi derrubada para construir um "bebódromo".

Miséria intelectual é isso. Em plena floresta amazônica, Cruzeiro do Sul é a terra do "ficus" e da "palmeira imperial".

Por que esses incompetentes não plantam espécies da floresta que nos rodeia ao invés de ficarem inventando?

E depois, queriam execrar o Carioca. É miséria mesmo. Aprontam, aprontam, fazem palhaçada sobre palhaçada e ainda por cima pedem nosso respeito.
HOJE É O DIA DA PRIMAVERA

A primavera é a estação do ano que se segue ao inverno e precede o verão, iniciando-se, no Hemisfério Norte cerca do dia 20 de março e terminando cerca de 21 de junho. No Hemisfério Sul, inicia-se por volta de 22 de setembro e termina em redor de 21 de dezembro. É tipicamente associada ao reflorescimento da flora e da fauna terrestres.

Do ponto de vista da Astronomia, a primavera do Hemisfério Sul inicia-se no equinócio de setembro e termina no solstício de dezembro.Como se constata, no dia do equinócio o dia e a noite têm a mesma duração. A cada dia que passa, o dia aumenta e a noite vai encurtando um pouco, aumentando, assim, a insolação do hemisfério respectivo.

Estas divisões das estações por equinócios e solstícios poderão ser fonte de equívocos, mas deve-se levar em conta a influência dos oceanos na temperatura média das estações. Na primavera do Hemisfério Sul, os oceanos meridionais ainda estão frios e vão aos poucos aquecendo, fazendo a primavera ter temperaturas amenas ao longo da estação.

Para a região sudeste do Brasil, onde há a maior concentração populacional do país, é geralmente o fim da estiagem de inverno e o início da temporada de chuvas.Por aqui, nao existe primavera, pelo menos nao da forma tradicionalmente conhecida e aceita no calendário. Cada árvore tem a sua própria floraçao e no tempo que bem entender.
Algumas imagens colhidas da rede e que nos remetem à estaçao das flores:

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

POESIA PARA A SEGUNDA-FEIRA

HORA ABSURDA (Fernando Pessoa)


O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas...

Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso...

E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas

Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraíso...



Meu coração é uma ânfora que cai e que se parte...

O teu silêncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto...

Minha idéia de ti é um cadáver que o mar traz à praia..., e entanto

Tu és a tela irreal em que erro em cor a minha arte...

(...)

Hoje o céu é pesado como a idéia de nunca chegar a um porto...

A chuva miúda é vazia... A Hora sabe a ter sido...

Não haver qualquer cousa como leitos para as naus!... Absorto

Em se alhear de si, teu olhar é uma praga sem sentido...


Todas as minhas horas são feitas de jaspe negro,

Minhas ânsias todas talhadas num mármore que não há,

Não é alegria nem dor esta dor com que me alegro,

E a minha bondade inversa não é nem boa nem má...

(...)

Ah, como esta hora é velha!... E todas as naus partiram!

Na praia só um cabo morto e uns restos de vela falam

Do Longe, das horas do Sul, de onde os nossos sonhos tiram

Aquela angústia de sonhar mais que até para si calam...


O palácio está em ruínas... Dói ver no parque o abandono

da fonte sem repuxo... Ninguém ergue o olhar da estrada

E sente saudades de si ante aquele lugar-outono...

Esta paisagem é um manuscrito com a frase mais bela cortada...

(...)

Já não há caudas de pavões todas olhos nos jardins de outrora...

As próprias sombras estão mais tristes... Ainda

Há rastros de vestes de aias (parece) no chão, e ainda chora

Um como que eco de passos pela alameda que eis finda...


Todos os casos fundiram-se na minha alma...

As relvas de todos os prados foram frescas sob meus pés frios...

Secou em teu olhar a idéia de te julgares calma,

E eu ver isso em ti é um porto sem navios...

(...)

Sermos, e não sermos mais!... Ó leões nascidos na jaula!...

Repique de sinos para além, no Outro Vale... Perto?...

Arde o colégio e uma criança ficou fechada na aula...

Por que não há de ser o Norte o Sul?... O que está descoberto?...


E eu deliro... De repente pauso no que penso... Fito-te

E o teu silêncio é uma cegueira minha... Fito-te e sonho...

Há cousas rubras e cobras no modo como medito-te,

E a tua idéia sabe à lembrança de um sabor de medonho...

(...)

Alguém vai entrar pela porta... Sente-se o ar sorrir...

Tecedeiras viúvas gozam as mortalhas de virgens que tecem...

Ah, oteu tédio é uma estátua de uma mulher que há de vir,

O perfume que os crisântemos teriam, se o tivessem...


É preciso destruir o propósito de todas as pontes,

Vestir de alheamento as paisagens de todas as terras,

Endireitar à força a curva dos horizontes,

E gemer por ter de viver, como um ruído brusco de serras...

(...)

Ah, se fôssemos duas figuras num longínquo vitral!...

Ah, se fôssemos as duas cores de uma bandeira de glória!...

Estátua acéfala posta a um canto, poeirenta pia batismal,

Pendão de vencidos tendo escrito ao centro este lema - Vitória!


O que é que me tortura?... Se até a tua face calma

Só me enche de tédios e de ópios de ócios medonhos...

Não sei... Eu sou um doido que estranha a sua própria alma...

Eu fui amado em efígie num país para além dos sonhos...

domingo, 20 de setembro de 2009

UMA HISTÓRIA VERÍDICA

Recebi por e-mail e estou repassando:

Ricardinho não agüentou o cheiro bom do pão e falou:

- Pai, tô com fome!!!

O pai, Agenor, sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito cedo em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho e pede mais um pouco de paciência...

- Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu tô com muita fome, pai!!!

Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede para o filho aguardar na calçada enquanto entra na padaria a sua frente...

Ao entrar dirige-se a um homem no balcão:

- Meu senhor, estou com meu filho de apenas 6 anos na porta, com muita fome, não tenho nenhum tostão, pois sai cedo para buscar um emprego e nada encontrei, eu lhe peço que em nome de Jesus me forneça um pão para que eu possa matar a fome desse menino, em troca posso varrer o chão de seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou outro serviço que o senhor precisar!!!


Amaro, o dono da padaria estranha aquele homem de semblante calmo e sofrido, pedir comida em troca de trabalho e pede para que ele chame o filho...

Agenor pega o filho pela mão e apresenta-o a Amaro, que imediatamente pede que os dois sentem-se junto ao balcão, onde manda servir dois pratos de comida do famoso PF (Prato Feito) - arroz, feijão, bife e ovo...

Para Ricardinho era um sonho, comer após tantas horas na rua...

Para Agenor, uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa fazia-o lembrar-se da esposa e mais dois filhos que ficaram em casa apenas com um punhado de fubá...

Grossas lágrimas desciam dos seus olhos já na primeira garfada...

A satisfação de ver seu filho devorando aquele prato simples como se fosse um manjar dos deuses, e lembrança de sua pequena família em casa, foi demais para seu coração tão cansado de mais de 2 anos de desemprego, humilhações e necessidades...

Amaro se aproxima de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca para relaxar:

- Ô Maria!!! Sua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo está até chorando de tristeza desse bife, será que é sola de sapato?

Imediatamente, Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão apetitosa, e que agradecia a Deus por ter esse prazer...

Amaro pede então que ele sossegue seu coração, que almoçasse em paz e depois conversariam sobre trabalho...

Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começa a almoçar, já que sua fome já estava nas costas...

Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma conversa nos fundos da padaria, onde havia um pequeno escritório....

Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego e desde então, sem uma especialidade profissional, sem estudos, ele estava vivendo de pequenos 'biscates aqui e acolá', mas que há 2 meses não recebia nada...

Amaro resolve então contratar Agenor para serviços gerais na padaria, e, penalizado, faz para o homem uma cesta básica com alimentos para pelo menos 15 dias...

Agenor com lágrimas nos olhos agradece a confiança daquele homem e marca para o dia seguinte seu início no trabalho...

Ao chegar em casa com toda aquela 'fartura', Agenor é um novo homem sentia esperanças, sentia que sua vida iria tomar novo impulso....

Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta, era toda uma esperança de dias melhores...

No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava na porta da padaria ansioso para iniciar seu novo trabalho...

Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele homem que nem ele sabia por que estava ajudando...

Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo dentro dele chamava-o para ajudar aquela pessoa...

E, ele não se enganou - durante um ano, Agenor foi o mais dedicado trabalhador daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente zeloso com seus deveres...

Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa e fala da escola que abriu vagas para a alfabetização de adultos um quarteirão acima da padaria, e que ele fazia questão que Agenor fosse estudar...

Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula: a mão trêmula nas primeiras letras e a emoção da primeira carta...

Doze anos se passam desde aquele primeiro dia de aula...

Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros, advogado, abrindo seu escritório para seu cliente, e depois outro, e depois mais outro...

Ao meio dia ele desce para um café na padaria do amigo Amaro, que fica impressionado em ver o 'antigo funcionário' tão elegante em seu primeiro terno...

Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma clientela que mistura os mais necessitados que não podem pagar, e os mais abastados que o pagam muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas desempregadas e carentes de todos os tipos, um prato de comida diariamente na hora do almoço...


Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é administrado pelo seu filho, o agora nutricionista Ricardo Baptista...

Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens, Amaro e Agenor impressionava a todos que conheciam um pouco da história de cada um...

Contam que aos 82 anos os dois faleceram no mesmo dia, quase que a mesma hora, morrendo placidamente com um sorriso de dever cumprido...

Ricardinho, o filho, mandou gravar na frente da 'Casa do Caminho', que seu pai fundou com tanto carinho:

'Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço. Que Deus habite em seu coração e alimente sua alma. E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar.'

sábado, 19 de setembro de 2009

POEMA PARA O SÁBADO

Ilustração: bing.com/images


Moinhos de Vento


Encantador de estrelas

Teu céu não tem limites

Teu cavalo não tem dono

Com armadura reluzente

Cavalgas solitário,

Ata rédeas em nossos corações

E nos ensina a ser crianças.

Dom Quixote de La Mancha

Tua armadura reluzente

Teus inimigos invisíveis

Também nos atormentam.

E os moinhos de vento

Não poderão se calar.

(Quatro Colinas, pág. 24)

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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

MINHASCOLINAS TAMBÉM É HISTÓRIA

Você sabe quem foi Lauro Muller? Caso a resposta seja "não", será por pouco tempo.

Pesquisei e para comprovar uma triste realidade, o cidadão que dá nome a segunda avenida mais importante de Cruzeiro do Sul é um estranho por aqui.

Tenho um estranho hábito (é o que me dizem), de ler placas de ruas e de carros, rótulos, bulas, manuais de instruções...

De tanto olhar, conheço por nome quase todas as ruas de Cruzeiro do Sul e tenho buscado a origem do nome e sua relação com a história da região.

Por que não sou carteiro, então? Sou professor de História, esqueceu? Tenho que dar respostas.

Ano passado um jornalista de Rio Branco me fez uma consulta e o deixei sem resposta. Que vergonha, o rapaz veio me questionar e eu não tinha uma explicação pelo menos evasiva...

Ele buscava informações sobre Guimarães Lima (que dá nome à antiga penitenciária de Cruzeiro do Sul).

Fiquei de pesquisar, pesquisei, e nada! Alguém sabe?

Enquanto não me topo com Guimarães Lima, vou tentando compensar. Às vezes as melhores descobertas ocorrem por acaso, assim foi com Lauro Muller, que encontrei pesquisando sobre a participação brasileira na Primeira Guerra Mundial.

Então, quando amanhã você passar por ali faça a sua análise da "importância" desse cidadão para a história de Cruzeiro do Sul para batizar com seu nome a rua de uma cidade em que nunca esteve.


Lauro Müller

Lauro Severiano Müller (Itajaí, 8 de novembro de 1863 — Rio de Janeiro, 30 de julho de 1926) foi um político e diplomata brasileiro. Filho do imigrante alemão Peter Müller e Ana Maria Michels Müller, primo-irmão de Filipe Schmidt pelo lado materno.

Apaixonado discípulo do positivismo de Benjamin Constant, ingressou na carreira militar na província natal. Foi alferes em 1885, segundo-tenente em 1889, primeiro-tenente em 1890, major em 1900, tenente-coronel em 1906, coronel em 1912, general-de-brigada em 1914 e general-de-divisão em 1921.

A sua carreira pública começou em 1889, quando foi nomeado por Deodoro da Fonseca governador provisório da província transformada em estado de Santa Catarina, governando o estado de 2 de dezembro de 1889 a 24 de agosto de 1890, quando foi residir no Rio de Janeiro a fim de assumir o cargo de deputado à Assembléia Nacional Constituinte, tendo o vice-governador Raulino Horn assumido o governo. Reassumiu o governo em 29 de setembro de 1890, permanecendo até 5 de outubro, quando repassou o governo para Raulino Horn a fim de retornar ao Rio de Janeiro.

Quando ocupando a posição de Chanceler recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Harvard.

Foi deputado federal, senador e ministro de Estado.

Empreendeu grandes reformas quando na pasta do Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, na presidência de Rodrigues Alves, nomeado por decreto de 15 de novembro de 1902, de 15 de novembro de 1902 a 15 de novembro de 1906.

Foi Ministro das Relações Exteriores nas presidências de Hermes da Fonseca, de 14 de fevereiro de 1912 a 15 de novembro de 1914, e de Venceslau Brás, de 15 de novembro de 1914 a 7 de maio de 1917. Defendeu a neutralidade brasileira durante a Primeira Guerra Mundial, premido por pressões da imprensa alertando contra o perigo alemão e discursos inflamados de Rui Barbosa, foi obrigado a renunciar por causa de suas origens germânicas.

Antes de falecer, aspirava ser Presidente da República.

Fonte: http://pt.wikipedia.org

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Política é isso...

Comandante João Donato realiza primeiro resgate no Acre (14.09.2009)
http://www.ac.gov.br/

Vítimas de acidente de trânsito foram removidas de Manuel Urbano até o pronto-socorro de Rio Branco na primeira e bem-sucedida operação do helicóptero multimissão.
Integrantes do Operações Aéreas ajudaram na chegada da aeronave (Foto: Sérgio Vale/Secom)

Uma das vítimas chega após atendimento no helicóptero (Foto: Sérgio Vale/Secom)
O primeiro resgate realizado pelo helicóptero Comandante João Donato foi muito bem-sucedido. Operado por homens da Força Nacional de Segurança e da unidade de operações aéreas do Acre, o CJD e o Força 01, da FNS, foram acionados para socorrer duas vítimas de acidente de carro em Manuel Urbano e às 17h20 pousaram na Rua José de Melo, a 50 metros do Hospital de Urgência e Emergências de Rio Branco (Huerb), onde os pacientes ficaram internados. Duas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) aguardavam os feridos. A rua ficou parcialmente fechada durante algum tempo.

"O fato de ter salvado duas vidas paga qualquer investimento", disse a secretária de Segurança Pública, Márcia Regina, reafirmando os grandes benefícios que o Acre terá com o helicóptero Comandante João Donato. A aeronave é multimissão e está preparada para atuar nos sistemas de segurança pública, saúde e defesa social do Acre.

Os biólogos Filogônio Ribeiro, 57, e Giuliana Santi seguiam para Manuel Urbano junto com colegas a serviço do Departamento de Águas e Saneamento do Acre (Deas) quando o veículo em que trafegavam capotou. Giuliana ficou gravemente ferida e tinha de ser removida com urgência para uma unidade médica especializada. "O trabalho foi perfeito. Pedimos apoio do serviço de emergência e conseguimos trazer as vítimas rapidamente para Rio Branco", agradeceu a diretora do Deas, Patrícia Correia.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

MÚSICA/POEMA

De Lá do Interior (Padre Zezinho)


Eu vim de lá do interior.

Aonde a religião ainda é importante.

Lá se alguém passa em frente matriz,

Se benze e pensa em Deus, e

Não sente vergonha de ter fé.

Eu vim de lá do interior.

E sei que a religião já não influi mais tanto nas pessoas

Sei que a televisão,

O rádio e o jornal

Convencem mais cabeças

Do que o padre lá no altar.

Mas deixa eu lhe dizer,

Que eu ainda creio e quero crer,

Que sem religião não sei viver!

Veja o Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=seyUFgwlexo

MURALHAS DO ÓDIO

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.

A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis.

Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade.

Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.

Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

(Charles S. Chaplin - Trecho de O Grande Ditador)





segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Política é isso...

Moradias populares beneficiam famílias de baixíssima renda

Um natal diferente. Quarenta e uma famílias de Tarauacá vão passar o natal em casas novas.
As casas populares, fruto de emenda da deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB), no município de Tarauacá já estão praticamente prontas, faltando apenas alguns detalhes como assentar as caixas d’água.

As empresas do município (exigência da autora da emenda), que construíram as casas, respeitaram o gosto dos futuros moradores e cada casa foi pintada com as cores escolhidas pelos donos. A de Bernadete Souza da Silva é amarela com aberturas e detalhes em azul.“Eu quis essas cores porque são vivas e alegres e mostram como nos sentimos por ganhar a casa nova”, disse satisfeita a mãe de seis filhos, com um bebe de um ano no colo, e outros três agarrados na saia.

Casada há vinte anos com um vigia, Bernadete não conseguia reformar a casa que estava caindo. Se inscreveu para tentar conseguir uma das casas, quando soube pelo rádio que a deputada Perpétua Almeida havia destinado recurso para a construção de casas para atender a população mais carente. Como o critério de escolha era renda, com prioridade para as menores e maior número de filhos, ganhou a casa nova que foi construída ao lado da antiga.

As crianças e a mãe já começaram a plantar o jardim e afirmam que assim que terminar o tempo seco vão fazer uma horta.

Para morar nas casas de madeira, com banheiro de alvenaria, as famílias tiveram que freqüentar um curso de conservação e manutenção onde aprenderam como fazer a madeira durar mais tempo, além de artesanato a partir de produtos recicláveis. O resultado começará a ser posto em pratica nos próximos meses, quando a família vai se reunir para confeccionar os enfeites de natal a partir de garrafas peti.

“Esse ano nós vamos passar o natal na casa nova. Eu nem acredito que isso está acontecendo. Eu nem tinha mais esperança, porque o meu marido ganha pouco e eu com esse monte de menino não tenho como trabalhar”, disse Bernadete emocionada.
Ao ser informada da situação a deputada Perpétua Almeida emocionou-se. “São resultados como esses que funcionam como combustível para a luta. Eu sabia que muitas famílias necessitadas ficariam felizes com as casas, mas a dimensão disso só veio ao tomar conhecimento da situação dessa família. Nossa! Que coisa boa que eles estão fazendo a relação da casa nova com presente de natal. Eu fico muito satisfeita”, disse a deputada comunista

sábado, 12 de setembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Geraldo Gurgel de Mesquita (1919-2009)

Faleceu nesta sexta-feira (11) em Brasília o ex-governador do Acre Geraldo Gurgel de Mesquita.

Natural do município de Feijó, o Barão, como era chamado, foi deputado federal (63-71), senador (71-75) e governador do Estado do Acre (75-79).

Duas imagens da época em que exerceu o cargo de governador do Acre em inaugurações no município.